Hemopi mobiliza rede nacional para encontrar sangue raro para paciente

Um paciente que precisava de transfusões de sangue recorrentes foi identificado pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (Hemopi) com dois anticorpos sanguíneos raros e mobilizou hemocentros de diferentes estados para localizar sangue compatível. O paciente na rede pública de Teresina.
A investigação foi realizada pelo Laboratório de Imuno-hematologia do Hemopi, que realizou testes para identificação e caracterização dos anticorpos, além de fenotipagem eritrocitária e outros exames.
Uma amostra foi encaminhada ao Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), onde passou por análise de genotipagem. O exame confirmou a presença dos anticorpos anti-Rh18 e anti-Rh19.
Até então, apenas um doador compatível havia sido identificado no Brasil. Diante da dificuldade de encontrar uma unidade de sangue compatível, o Hemopi também acionou familiares do paciente.
Dos seis irmãos, quatro tiveram amostras coletadas para testes de compatibilidade. Nenhum deles apresentou compatibilidade com o paciente.
Hemocentros de outros estados são acionados
Com a necessidade de localizar novas unidades, o Hemopi acionou a Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados (CGSH), do Ministério da Saúde, para ampliar a busca por sangue compatível.
A articulação resultou no envio de duas unidades ao Piauí: uma do Hemoce e outra da Fundação Pró-Sangue de São Paulo.
As bolsas foram transportadas em caráter de urgência e com prioridade para garantir a chegada ao estado. Após o recebimento, o Hemopi realizou os testes pré-transfusionais para verificar a compatibilidade.
A equipe constatou que apenas uma das duas unidades apresentava compatibilidade completa com o paciente. A bolsa foi utilizada na transfusão, realizada sem intercorrências.
Para Pedro Afonso Sousa, supervisor do Laboratório de Imuno-hematologia do Hemopi, a identificação dos anticorpos e a localização da unidade compatível foram resultado da investigação especializada e da articulação entre instituições.
“Estamos diante de uma condição imuno-hematológica extremamente rara, que torna a localização de um doador compatível um verdadeiro desafio. É, literalmente, buscar uma agulha no palheiro”, explica.
Busca por novos doadores continua
Mesmo após a transfusão, o Hemopi continua investigando o caso e buscando possíveis doadores compatíveis. A necessidade ocorre porque o paciente precisa receber transfusões de forma recorrente.
Segundo Pedro Afonso Sousa, a integração entre hemocentros e instituições especializadas é necessária para atender casos que envolvem anticorpos e fenótipos sanguíneos raros.
“A atuação integrada entre os diferentes setores do Hemopi, juntamente com a parceria estabelecida com outros hemocentros e instituições especializadas, é fundamental em casos que envolvem fenótipos e anticorpos sanguíneos raros. Situações como esta reforçam a importância de uma rede estruturada de investigação imuno-hematológica e de um cadastro diversificado de doadores, capaz de ampliar as possibilidades de compatibilidade quando condições raras são identificadas”, conclui.
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