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Estados Unidos assumem pela 1ª vez possuir armas em órbita: veja o que se sabe

Os Estados Unidos reconheceram publicamente pela primeira vez nesta segunda-feira (14) que mantêm armas de controle espacial em órbita. A informação foi divulgada pelo secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, durante uma conferência militar. Meink não informou quais equipamentos estão em órbita, quantos são ou como funcionam.

Durante o discurso, Meink afirmou que os sistemas são capazes de defender as forças militares americanas contra adversários. Segundo um funcionário do governo ouvido pelo jornal americano The Washington Post sob condição de anonimato, o sistema teria capacidade de destruir ou neutralizar um satélite inimigo caso ele esteja sendo usado contra tropas ou satélites dos Estados Unidos.

A Força Espacial dos EUA afirmou que as capacidades de controle espacial podem ser empregadas em ações ofensivas e defensivas. Segundo a corporação, os sistemas permitem disputar e controlar o domínio espacial por meios “cinéticos e não cinéticos”, afetando recursos de adversários.

Equipamentos podem interferir em satélites

Os Estados Unidos não divulgaram detalhes sobre os equipamentos mencionados por Meink. A descrição oficial, porém, indica que eles podem ser utilizados para interferir ou atacar sistemas espaciais de outros países.

Uma das possibilidades seria o emprego contra satélites considerados ameaças às forças americanas. Esses equipamentos são utilizados em atividades militares como comunicação, vigilância e navegação.

A capacidade também é apresentada pelos EUA como uma forma de dissuasão, com o objetivo de impedir ataques ao país diante da possibilidade de uma reação.

Mudança no discurso americano

A revelação representa uma mudança na posição pública dos Estados Unidos sobre sua capacidade militar no espaço. Autoridades americanas costumam evitar detalhes sobre esse tipo de tecnologia por questões de segurança nacional. Em 2022, John Raymond, primeiro chefe de operações espaciais da Força Espacial dos EUA, afirmou que o principal objetivo do país era “impedir a guerra”.

Os Estados Unidos também desenvolvem uma rede de interceptadores baseados no espaço que deverá integrar futuramente o sistema de defesa antimísseis Golden Dome, uma das principais iniciativas militares do governo de Donald Trump. Meink afirmou que esses interceptadores estão “prontos para o voo”. Não há indicação, porém, de que as armas reveladas nesta segunda-feira façam parte desse programa.

China e Rússia ampliam capacidades espaciais

A confirmação ocorre em meio ao aumento das tensões estratégicas entre Estados Unidos, China e Rússia. A China pediu nesta terça-feira que Washington “pare de se preparar para guerra” no espaço.

Durante anos, os Estados Unidos acusaram China e Rússia de desenvolver e realizar atividades militares no espaço. Entre as capacidades apontadas estão sistemas capazes de interferir em satélites e outras tecnologias de combate espacial.

A Força Espacial dos EUA afirma que a China desenvolve capacidades espaciais e antiespaciais como parte de sua modernização militar. A Rússia, por sua vez, considera o espaço um domínio de combate e também desenvolve sistemas capazes de afetar satélites.

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