Picos: Forte chuva com vento derruba muro de galpão e atinge 4 casas e veículos

Uma forte chuva, acompanhada de rajadas intensas de vento, causou estragos em vários pontos de Picos na tarde desta quinta-feira (5). A força do temporal derrubou muros e arrancou portões de residências. Quatro casas foram atingidas pela queda de uma estrutura, e os moradores precisaram ser retirados pelo Corpo de Bombeiros. Não houve registro de feridos.
Segundo o tenente Sousa Júnior, do Corpo de Bombeiros de Picos, todas as pessoas que estavam nos imóveis atingidos foram retiradas em segurança. Em uma das residências, que teve a estrutura mais afetada, os militares precisaram utilizar um equipamento de desencarceramento para abrir uma passagem e conseguir acessar os moradores.
O resgate demorou porque os bombeiros aguardaram a chegada de equipes da Equatorial para desligar a rede elétrica e permitir a entrada nas casas com segurança.
Apesar da retirada dos moradores, ainda havia preocupação com a possibilidade de alguém estar sob os escombros do muro. Duas testemunhas que presenciaram a queda informaram aos bombeiros que não havia pessoas na rua naquele momento. A corporação também solicitou imagens de câmeras de segurança de uma empresa e de uma residência próxima para verificar se alguém foi atingido.
“Existia, e ainda existe, uma preocupação de termos pessoas debaixo dos escombros desse muro. A gente teve contato com duas pessoas que presenciaram o momento exato da queda e asseguraram que não tinha ninguém na rua. Estamos aguardando as imagens para ratificar que não temos pessoas sob esses escombros”, explicou o tenente.
Galpão em construção desaba sobre casas e veículos
Foto: Reprodução / Corpo de Bombeiros

Um dos locais afetados foi um galpão em construção, onde parte da estrutura do muro desabou sobre a frente de casas e veículos. O Cidadeverde.com apurou que o galpão pertence a uma empresa de frios.
Na área do galpão, equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil Municipal e da Polícia Civil estiveram no local. A Defesa Civil interditou o trecho e identificou outro muro que, embora não tenha desabado, apresenta risco de queda.
Segundo o tenente Sousa Júnior, os moradores das casas próximas foram orientados a deixar os imóveis e procurar um local seguro. A empresa responsável também foi notificada para providenciar a derrubada segura da estrutura.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, além das quatro residências atingidas, foram danificadas partes de muros, telhados e placas de energia solar. Quatro carros e aproximadamente 20 motocicletas também foram atingidos. A quantidade de motos ainda não foi confirmada, pois parte dos veículos está coberta pelos escombros.
Danos semelhantes foram registrados no campus do Instituto Federal do Piauí (IFPI), onde parte do muro ruiu devido à intensidade da ventania. Moradores também registraram em vídeos os prejuízos causados pela tempestade em diferentes bairros da cidade.
Ventos chegaram a 28,8 km/h, segundo a Semarh
Dados da estação meteorológica da SAMPECE/SEMARH localizada em Picos apontaram que a velocidade do vento chegou a aproximadamente 8 metros por segundo, o equivalente a 28,8 km/h, durante a tarde. O pico foi registrado às 15h10.
A Semarh ressalta que o dado corresponde à medição da estação meteorológica e que não estão descartadas rajadas localizadas mais fortes. No entanto, a intensidade dessas possíveis rajadas não pode ser determinada apenas pelos danos observados.
A análise de imagens de satélite identificou núcleos de nebulosidade associados à instabilidade atmosférica na região. O deslocamento das formações de nuvens ocorreu predominantemente de leste para oeste.
De acordo com a secretaria, esse tipo de ocorrência é característico do período de transição entre as estações seca e chuvosa no Piauí. As temperaturas elevadas favorecem o aquecimento da superfície e a formação de movimentos ascendentes do ar. Quando há umidade e instabilidade atmosférica, podem se desenvolver nuvens capazes de provocar chuvas intensas, descargas elétricas e rajadas de vento.
As rajadas mais fortes podem estar associadas às correntes de ar que descem do interior das nuvens de tempestade. Ao atingirem a superfície, essas correntes podem provocar aumentos repentinos na velocidade do vento, inclusive em áreas onde o volume de chuva não é tão elevado.
A SAMPECE/SEMARH informou ainda que já havia indicado, em seu boletim meteorológico diário, condições favoráveis à ocorrência de chuvas na região.




