Lula endurece discurso contra Trump para transformar política externa em trunfo eleitoral

A recente subida de tom do presidente Lula (PT) nas críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante viagem à Europa, integra a estratégia da pré-campanha petista para as eleições deste ano.
Para aliados do petista, o presidente buscará enfatizar uma abordagem racional, ancorada na defesa da soberania e na comparação entre projetos de país.
O movimento faz parte de uma tentativa de reverter os resultados negativos das pesquisas mais recentes e conter o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nos bastidores, a leitura é que a estratégia busca reposicionar a disputa eleitoral em dois eixos: a comparação com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, e a inserção do pleito brasileiro no cenário geopolítico.
A ideia é apresentar ao eleitor o que seria uma escolha entre soberania e submissão a interesses estrangeiros.
Aliados de Lula avaliam que, ao criticar Trump, o presidente reforça a imagem de um Brasil independente, que não aceita se curvar diante de outras potências.
Ao mesmo tempo, a estratégia mira Flávio diretamente, ao associar o bolsonarismo a um alinhamento automático com os Estados Unidos.
A mudança de tom também ocorre em um contexto de distanciamento diplomático. Um encontro entre Lula e Trump chegou a ser cogitado pelo Palácio do Planalto e Casa Branca para março, mas não avançou. Diante disso, integrantes do governo consideram que há espaço para explorar politicamente o contraste entre os dois líderes.
Trump na mira
Durante compromissos na Espanha, Alemanha e Portugal, Lula fez uma série de declarações críticas a Trump, explorando um dos principais motes do PT para o pleito de outubro: a defesa da soberania nacional.
Em tom irônico, afirmou que Trump deveria receber o Prêmio Nobel da Paz “para não ter mais guerra”, em referência às declarações do americano sobre conflitos internacionais.
O presidente brasileiro também endureceu o discurso ao tratar de decisões da Casa Branca. Após a expulsão de um delegado da Polícia Federal (PF) dos Estados Unidos, Lula classificou a medida como “ingerência” e “abuso de autoridade”, e indicou que o Brasil adotaria o princípio da reciprocidade, o que se confirmou.
As críticas se estenderam a outros temas da política externa americana. “Não podemos levantar todo dia de manhã e ir dormir todo dia à noite com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, afirmou em Barcelona.
Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula questionou posições de Trump sobre conflitos internacionais e criticou a tentativa dos EUA de barrar a participação do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no G20.
“Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse”, pontuou Lula.
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