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Bolsonaro ‘jamais soube’ que Flávio leria carta, diz defesa

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (15), em manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente não estava ciente de que teria sua carta lida pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante live transmitida pelo YouTube no sábado (11).

O episódio rendeu uma ordem de restrição de 90 dias a Flávio por descumprimento da proibição que Bolsonaro tem de se comunicar pelas redes sociais, incluindo por intermédio de terceiros.

“A Defesa esclarece, objetivamente, que o Peticionário jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”, diz o documento enviado pelos advogados do ex-presidente.

Flávio divulgou a carta escrita à mão em live aos moldes do que fazia o pai durante o seu governo. Nela, Bolsonaro dizia estar “saudoso” do povo brasileiro e citava a necessidade de “arregaçar as mangas” e deixar “de lado as possíveis diferenças” em prol da candidatura do filho, em uma fala interpretada como tentativa de pacificar a crise instalada na pré-campanha pela ex-primeira-dama Michelle.

Como mostrou o SBT News, Flávio foi à casa do pai, no Jardim Botânico de Brasília, justamente em um horário que sabia que a madrasta não estaria presente. Saiu de lá com a carta escrita à mão e convocou live poucas horas depois.

Na segunda (13), o ministro Alexandre de Moraes proibiu o senador de visitar o pai por 90 dias. O ministro entendeu que Flávio usou a visita para obter e divulgar uma carta escrita por Bolsonaro nas redes sociais, descumprindo uma ordem judicial que proíbe essa prática.

Porém, a defesa disse na petição desta quarta que outras cartas escritas pelo ex-presidente não suscitaram a mesma ordem restritiva.

Os advogados afirmaram, por fim, que Bolsonaro não tentou usar o filho para burlar as medidas cautelares da prisão domiciliar e que seguirá em conformidade com as limitações impostas pela Justiça.

A restrição de 90 dias afeta em cheio as articulações de Flávio com o pai para as escolhas de candidaturas do PL. O ex-presidente tem sido consultado regularmente sobre indicações na formação das chapas e agora fica isolado, com Michelle concentrando o acesso ao marido. Visitas que não são de familiares e da defesa a Bolsonaro precisando ser autorizada por Moraes.

Ao criticar a decisão na terça (13), Flávio disse que a medida tinha como objetivo deixar Bolsonaro “incomunicável”, impedir que o ex-presidente mantivesse contato com aliados e participasse do debate político durante o processo eleitoral.

sbtnews

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