Advogado do Banco Master acumulava R$ 4 milhões em carros de luxo e obras de arte

O patrimônio declarado pelo advogado Daniel Lopes Monteiro, apontado como suspeito de atuar como operador do banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Master, chama atenção pela presença de carros esportivos, relógios sofisticados e obras de arte. Documentos da Receita Federal, obtidos pelo Metrópoles, detalham esses itens. Monteiro está detido desde terça-feira, 16, quando a Polícia Federal deflagrou a fase mais recente da Operação Compliance Zero. Na mesma ação, também foi preso Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).
Na declaração de Imposto de Renda de 2024, referente ao ano-base 2023, Monteiro já atuava, segundo a Polícia Federal, como responsável por um “compliance paralelo” no Banco Master. De acordo com as investigações, a finalidade seria ocultar bens, fraudar ativos e lavar dinheiro. Em 2023, Monteiro informou à Receita uma frota avaliada em R$ 4 milhões, além de R$ 340 mil em relógios da marca Tag Heuer e um conjunto de sete obras do artista Bruno Portella, que somam mais de R$ 100 mil. O artista mantém ateliê em Alphaville, região nobre de Barueri, na Grande São Paulo.
O advogado também declarou a compra de uma casa de 478 metros quadrados em Alphaville por R$ 2 milhões, sendo R$ 980 mil financiados pelo Banco Itaú. O imóvel passou ainda por uma reforma avaliada em R$ 1,7 milhão. A defesa de Monteiro afirmou, em nota, que os bens declarados “são compatíveis com a capacidade financeira” do cliente, “alcançada ao longo de 25 anos de um trabalho sério e de excelência prestado a inúmeros clientes e cuja qualidade foi reconhecida pelos principais rankings jurídicos nacionais e internacionais”.
Reconhecido no mercado por sua atuação em direito creditório e estruturas de proteção patrimonial, Monteiro ganhou notoriedade entre agentes da Faria Lima. Suas operações resultaram em ganhos elevados, refletidos em veículos e acessórios de alto valor.
Uma fonte do setor financeiro, que preferiu não se identificar, comentou ao Metrópoles um hábito do advogado. “Ele era viciado em Porsche”, declarou. O interesse aparece na própria declaração: em 2023, ele possuía dois modelos da marca avaliados juntos em mais de R$ 1 milhão. Entre os relógios, dois eram edições especiais produzidas em parceria entre Tag Heuer e Porsche.
Os modelos “Tag Heuer Carrera Cronógrafo Porsche” e “Tag Heuer Carrera Chronosprint x Porsche” foram declarados por R$ 55 mil e R$ 70 mil, respectivamente. No ano anterior, ele também tinha outro Porsche, um Cayenne, negociado em 2022 com um sócio do escritório, que o destinou à ex-mulher, por meio de financiamento de uma concessionária em Alphaville.
Entre os veículos e relógios informados por Monteiro estão: Porsche 911 Turbo (R$ 1,8 milhão), Porsche 911 Carrera (R$ 1,05 milhão), Mercedes-Benz GLE 400 (R$ 550 mil), Aston Martin V8 Vintage (R$ 330 mil), Mercedes-Benz carro de corrida (R$ 200 mil), Mercedes-Benz SLK 200 (R$ 100 mil), Tag Heuer Monaco Automático Titano (R$ 110 mil), Tag Heuer Carrera Chronosprint x Porsche (R$ 70 mil), Tag Heuer Carrera Cronógrafo Porsche (R$ 55 mil), Tag Heuer Monaco Gulf Colours (R$ 52 mil), Tag Heuer Calibre SLR (R$ 35 mil) e Tag Heuer Carrera Aston Martin (R$ 18 mil).
O escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Advogados foi citado pela Polícia Federal como responsável por atuar como “compliance paralelo” no Banco Master. As apurações apontam que Monteiro elaborou contratos entre o Master e a Tirreno, empresa de fachada utilizada para dar suporte a créditos considerados problemáticos, vendidos por R$ 12 bilhões ao BRB.
Segundo os investigadores, “os dados extraídos de aparelhos apreendidos indicariam que Daniel Monteiro participou da elaboração, revisão e ajuste de instrumentos contratuais, declarações, notificações e contra notificações ligadas à Tirreno e às cessões de carteira, inclusive documentos posteriormente associados pelo Banco Central a indícios de fraude”.
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