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Anvisa proíbe canetas emagrecedoras sem registro no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, na terça-feira (14), a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. A medida também proíbe a comercialização, distribuição, importação e o uso dos produtos no Brasil.

Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1 (usados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade), os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. Como não há registro, notificação ou cadastro na Anvisa, os medicamentos são de origem desconhecida, o que impede a agência de garantir a qualidade dos produtos.

“As ações de fiscalização se aplicam a quaisquer pessoas físicas/jurídicas ou veículos de comunicação que comercializem ou divulguem os produtos. Profissionais de saúde e pacientes que identificarem produtos das marcas e lotes citados podem entrar em contato com a Agência, por meio dos Canais de Atendimento, ou com a Vigilância Sanitária local”, orientou a Anvisa.

A popularização de medicamentos injetáveis de GLP-1 vem preocupando especialistas. Isso porque a busca pelos medicamentos, recomendados para o tratamento de diabetes tipo 2 ou obesidade, aumentou significativamente devido à fórmula, que diminui a fome e estimula o gasto energético, resultando em uma rápida perda de peso. No caso do Mounjaro, há casos de perda de até 12 quilos em poucos meses.

Médicos ressaltam que os produtos não são indicados para pacientes que desejam apenas o emagrecimento precoce. Nestes casos, há probabilidade de efeitos colaterais, como náuseas, dor abdominal, vômitos e diarreia. Efeitos adversos graves são raros, mas, em algumas situações, podem apresentar falência renal, hemorragia gastrintestinal e pancreatite, por exemplo.

“É preciso distinguir o que é o tratamento da obesidade do ‘desejo social de emagrecer’. O uso de curto prazo de medicações para fins estéticos (e muitas vezes sem prescrição médica) deve ser tratado de forma muito distinta do que o tratamento sério da obesidade, que tem como objetivo a melhora de saúde e qualidade de vida”, afirma Fabio Moura, médico e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Em meio ao cenário, a Anvisa anunciou que apresentará, ainda nesta semana, a minuta da nota técnica para endurecer as regras para a manipulação de medicamentos injetáveis de GLP-1. Entre as mudanças previstas estão mecanismos de rastreabilidade, qualidade e segurança ao longo da cadeia produtiva, além de qualificação dos fabricantes e fornecedores.

sbtnews

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