Endividamento bate recorde e especialista aponta erros financeiros comuns

O percentual de famílias brasileiras endividadas chegou a 80,4% em março, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada no dia 7 de abril pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O índice apresentou alta de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro, quando estava em 80,2%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço foi de 3,3 pontos percentuais.
Para o analista financeiro Gabriel Souza, o crescimento do endividamento está diretamente ligado ao comportamento de consumo e à falta de planejamento financeiro.
“As pessoas vão comprando uma compra atrás da outra. Quando você faz compras seguidas e compras caras, você parcela e, consequentemente, essas dívidas vão se transformando em uma bola de neve, porque a sua renda fica comprometida. Consequentemente, você não consegue pagar por tantas compras que fez”, explicou.
O especialista destaca que a ausência de educação financeira básica contribui para o agravamento do cenário.
“Tem que haver um planejamento. A falta de planejamento das famílias, dos indivíduos, faz com que isso aconteça. Não ter uma educação financeira básica é algo bastante importante para qualquer pessoa”, afirmou.
Segundo ele, muitos consumidores recorrem ao parcelamento até mesmo em despesas do dia a dia, o que pode comprometer ainda mais o orçamento.
“Muitas dessas famílias tendem a parcelar coisas que não há necessidade de parcelamento, como compras simples, pagamento de gás ou medicamentos. Esses produtos são para serem pagos diretamente, sem parcelamento”, pontuou.
O analista diferencia o uso consciente do crédito, especialmente em aquisições de maior valor.
“Parcelamento bom é quando você compra um notebook, um apartamento ou um carro. Isso pode dar um retorno para você e você consegue pagar tendo um bom planejamento. Agora, quando você faz compras que não têm necessidade, isso pesa muito no bolso”, disse.
Para quem já enfrenta dificuldades financeiras, a recomendação é buscar renegociação das dívidas e reorganizar as prioridades.
“A primeira coisa que você tem que fazer é renegociar suas dívidas, tentar prazos mais longos e priorizar o pagamento das dívidas mais caras. Planeje-se, veja o que é necessário e procure o banco para renegociar”, orientou.
Como forma de quebrar o ciclo de endividamento, o especialista reforça a importância do controle do orçamento e da criação de uma reserva financeira, mesmo que com valores baixos.
“A primeira coisa é olhar o seu orçamento. Coloque no papel o que é essencial, não essencial e supérfluo. O que é supérfluo você deixa de lado. É importante colocar tudo na ponta do lápis. Você sempre tem que manter uma reserva financeira, não precisa ser muito. Pode ser R$ 10, R$ 20 por mês. Isso já cria um hábito de acumulação, porque não sabemos o dia de amanhã”, destacou.
Ele também alerta para o uso inadequado do crédito.
“Não use o crédito como uma extensão da sua renda. O crédito não deve substituir o que você ganha”, afirmou.
Por fim, o analista ressalta que a contratação de empréstimos deve ser feita com cautela.
“Você só deve pegar um empréstimo quando tiver certeza de que pode arcar com as consequências dele”, concluiu.
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