PM morta com tiro na cabeça em SP relatou ciúmes do marido em mensagem

Mensagens enviadas pela soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, reforçam que a policial vivia um relacionamento conturbado antes de ser encontrada morta com um tiro na cabeça, em um apartamento no Brás, no centro São Paulo, há quase um mês.
Em uma conversa com uma amiga, em dezembro do ano passado, a PM demonstrou medo do comportamento do marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto. As mensagens foram divulgadas pelo advogado da família de Gisele.
“Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego, não tenho como controlar o que falam”, escreveu Gisele.
Segundo apuração, o oficial demonstrava ciúmes excessivos desde o início do relacionamento. Ele teria acesso às redes sociais da soldado e monitorava interações, chegando a questionar pessoas que curtiam fotos ou conversavam com ela.
Familiares e amigos da soldado afirmaram à polícia que ela vivia um relacionamento abusivo. Segundo a mãe de Gisele, Marinalva Santana, o tenente-coronel impunha restrições à mulher e ela pensava em se separar.
Em entrevista ao SBT Brasil, Marinalva disse que não acredita na versão apresentada por Geraldo, de que Gisele teria tirado a própria vida. Ela pede que o caso seja investigado como feminicídio.
Áudio indica que policial queria sair de casa
Outro elemento que passou a integrar o inquérito é um áudio enviado por Gisele ao pai, em que ela demonstra a intenção de se mudar para um local mais próximo da família.
Na gravação, a policial explica que buscava uma casa que facilitasse a rotina de trabalho e os cuidados com a filha:
“Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar”, diz em um trecho.
Para a defesa da família, o conteúdo reforça que Gisele pretendia deixar o apartamento onde vivia com o marido.
Caso segue sob investigação
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, no apartamento em que morava com o marido e a filha, no Brás, região central da capital paulista. Os dois estavam casados há dois anos.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita.
De acordo com Geraldo, ele estava no banho quando a policial teria atirado contra a própria cabeça. Ele afirmou à polícia que, após uma discussão, entrou no banheiro e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho. Ao sair, ele encontrou a mulher ferida.
A bala que atingiu a policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações. Perícias realizadas após a exumação do corpo apontaram lesões no pescoço e no rosto, além de indícios que levantam dúvidas sobre a dinâmica do disparo.
A Polícia Civil aguarda laudos complementares para concluir o inquérito. O delegado responsável pode finalizar o relatório ou solicitar a prorrogação da investigação, já que o prazo inicial do inquérito se encerra nesta quarta‑feira (18).
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