Mulheres relatam queimaduras nos olhos após uso de pomadas modeladoras no Piauí

Mulheres que participaram de um evento de pré-Carnaval realizado no último fim de semana relataram lesões oculares após o uso de pomadas modeladoras durante a preparação dos penteados. Os casos envolvem ardência intensa, dificuldade para abrir os olhos e diagnóstico médico de queimaduras na córnea.
Uma das vítimas é a enfermeira Brenda Spíndola, de Monsenhor Gil, a 60 km de Teresina. Ela conta que contratou uma profissional para fazer o penteado e que foi a primeira vez que o produto utilizado, da marca Reformer, foi aplicado em seu cabelo.
Segundo Brenda, o problema começou depois que pegou chuva durante o evento e o produto escorreu.
“Quando escorreu eu senti só uma leve coceira e uma ardência e pensei que fosse maquiagem. Cheguei em casa de madrugada, lavei o rosto normal e fui dormir. Acordei sem enxergar nada, nada. Os olhos estavam grudados, lacrimejando e doendo muito, muito mesmo. Era como se tivesse areia dentro do olho”, disse.
Ela procurou atendimento médico no município de Monsenhor Gil, onde recebeu lavagem ocular, colírio anestésico, outros colírios e pomada. Mesmo seguindo o tratamento no domingo e na segunda, nesta terça-feira (10) o quadro piorou.
“Quando levantei, o olho esquerdo não abriu de jeito nenhum. Estava totalmente fechado. Foi quando eu entrei em desespero e pensei: pronto, fiquei cega.”
Brenda pediu ajuda à mãe e à tia e foi levada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), que atende casos oftalmológicos de urgência.
“Lá o médico fez o exame e disse que minha íris e minha córnea estão feridas e queimadas. Passou outro colírio para usar por sete dias e pediu que, quando terminar, eu procure um especialista para ver como minha visão vai ficar.”
O olho direito apresenta melhora. Já o esquerdo segue bastante vermelho, dolorido e ainda lacrimejando.
Outra marca de pomada
Foto: Reprodução / Acervo pessoal

Outro caso é o da atendente de conveniência Maria Fernanda, de 25 anos. Ela usou um modelador chamado Esponja Magic, aplicado por uma profissional durante a confecção das tranças. Pouco tempo depois, a chuva começou e a substância escorreu em direção aos olhos.
A reação, segundo ela, foi imediata.
“Assim que bateu já começou a arder. Foi muita dor. Meus olhos incharam bastante.”
Apesar do desconforto, ela permaneceu no evento. No dia seguinte, percebeu que a situação havia piorado. “Quando acordei, estavam muito mais irritados, bem vermelhos, e tinha um pontinho branco no meio da íris. Aí eu fiquei preocupada.”
Maria Fernanda procurou um oftalmologista, que realizou exames e confirmou as lesões.
“Ele falou que eu tinha queimado os olhos, que estavam feridos.”
Para evitar que o movimento das pálpebras continuasse machucando a região, a orientação foi usar tampões por 24 horas, além de colírio anestésico para aliviar a dor e pomada para manter o olho lubrificado.
Ela também recebeu a recomendação de evitar telas e fazer repouso visual.
“Minha visão ainda não voltou ao normal. Está embaçada, um pouco dolorida. Eu diria que está uns 80%. Não consigo olhar para longe sem forçar.”
Ela deverá retornar ao especialista em cerca de 30 dias para reavaliar a recuperação.
Produtos não aparecem em lista da Anvisa
O cidadeverde.com consultou a relação de pomadas autorizadas para uso cosmético disponível pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não localizou os nomes citados pelas entrevistadas na listagem pública.
A orientação do Ministério da Saúde em casos de contato de produtos químicos com os olhos é lavar imediatamente com água corrente em abundância e procurar atendimento médico o mais rápido possível.
> Consulte a lista de Pomadas autorizadas pela Anvisa
Orientações
De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer produto químico que entre em contato com os olhos pode provocar irritações, inflamações e, em situações mais graves, lesões na córnea.
A recomendação imediata é lavar os olhos com água corrente em abundância por vários minutos, mesmo que a ardência pareça diminuir logo depois.
Especialistas alertam que a sensação inicial pode enganar: a dor pode aumentar horas depois, quando a substância já provocou danos na superfície do olho.
O ministério reforça ainda que a pessoa não deve esfregar os olhos, não deve aplicar outros produtos por conta própria e precisa procurar atendimento médico o mais rápido possível, principalmente se houver:
- dor persistente
- dificuldade para abrir os olhos
- visão embaçada
- lacrimejamento intenso
- vermelhidão
O tratamento precoce é fundamental para reduzir o risco de complicações e preservar a visão.
cidadeverde




