Sistema com IA que organiza a entrega de água por caminhão-pipa vence hackathon

O Pipa Inteligente, criado por estudantes do Piauí Instituto de Tecnologia (PIT), em Teresina, é o vencedor do ‘Hackathon: O Piauí que Queremos 2026′. A plataforma usa inteligência artificial para decidir quais comunidades devem receber água primeiro e qual o caminho mais curto para os caminhões-pipa chegarem até elas.
A equipe vencedora recebe R$ 3 mil e troféu. O segundo lugar ficou com o SISAN (Sistema Integrado de Saneamento), do IFPI de Picos, que leva R$ 1,5 mil. Em terceiro ficou o SVS (Score de Vulnerabilidade Sanitária), da Uespi de Parnaíba, que recebe R$ 1 mil. As três equipes também ganham troféu, e todos os finalistas recebem certificado de participação.
O hackathon é promovido pelo Grupo Cidade Verde em parceria com a Águas de Teresina e a Águas do Piauí, empresas da Aegea, com apoio da plataforma Programe Studio. A competição desafiou estudantes universitários a criar soluções para problemas reais de saneamento no estado. Foram 17 projetos inscritos e cinco chegaram à final.
“Foi muito gratificante ganhar o Hackathon do Cidade Verde. Quando eu e minha equipe vimos o edital do Hackathon O Piauí que Queremos, a gente pensou logo que era perfeito para o nosso projeto, o Pipa Inteligente. E foi, de fato: ganhamos”, comemorou João Cláudio Rodrigues, líder da equipe.
Segundo ele, a ideia já existia havia algum tempo e chegou a ser inscrita em outros editais, sem sucesso. “É muito gratificante ver o reconhecimento, o fruto do trabalho que a gente fez. Que seja o primeiro de muitos”, disse.
Água primeiro para quem está em situação crítica
Foto: CCOMSEx/Divulgação

Em agosto, o Governo do Estado decretou situação de emergência por causa da seca em 117 municípios piauienses. Em muitas comunidades rurais aonde a rede de abastecimento não chega, o caminhão-pipa é a principal fonte de água potável.
Quem coordena esse serviço precisa responder todos os dias a três perguntas: quem atender primeiro, qual caminho seguir e como comprovar que a água foi entregue. O Pipa Inteligente reúne as três etapas em uma só plataforma, com dois acessos:
- gestor: cadastra comunidades, caminhões e motoristas, vê no mapa quais locais estão em situação crítica e envia a rota com um clique;
- motorista: acessa pelo navegador do celular, sem instalar aplicativo nem criar senha, recebe a rota e segue o trajeto pelo Google Maps.
A prioridade é definida por um índice de urgência de 0 a 100, calculado por inteligência artificial com base em quatro informações:
- nível do reservatório;
- número de moradores;
- dias sem água;
- temperatura.
Comunidades com o reservatório abaixo de 20% ou há mais de cinco dias sem água aparecem como críticas no mapa. Um sensor instalado na caixa d’água ou na cisterna informa o nível em tempo real.
A rota é montada pela menor distância, respeitando a capacidade de cada caminhão. O GPS identifica quando o motorista está a 500 metros da comunidade, e cada entrega é registrada com foto, assinatura e horário. Com esse histórico, o gestor vê onde a falta de água se repete, e essa informação pode orientar a expansão da rede.
A primeira versão do sistema já está no ar. Hoje, ela precisa de internet para enviar a rota e confirmar a entrega. O próximo passo da equipe é permitir que o motorista baixe o trajeto antes de sair e envie os registros quando o sinal voltar.
A equipe é formada por João Cláudio Bezerra Silva Rodrigues, Adriano Batista de Carvalho e Luis Miguel Miranda Costa, estudantes do curso de Tecnólogo em Inteligência Artificial do PIT. A orientação é do professor Marcos Antonio de Sousa Frazão.
O que pesou na escolha
Foto: cidadeverde.com

A banca de jurados foi formada por:
- Thaís Araripe, diretora-geral da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Estado do Piauí (Agrespi);
- Laécio Nascimento, diretor técnico da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos de Teresina (Arsete);
- Itamar Júnior, diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Timon (Agert);
- Renata Oliveira, da Programe Studio.
Para Thaís Araripe, o projeto responde a uma demanda concreta do estado.
“A realidade do estado, principalmente por ter uma grande área rural, ainda demanda muito essa atuação por caminhão-pipa, e existem muitas perdas técnicas quando o transporte da água é feito dessa forma. Então o monitoramento por inteligência artificial, que acompanha as rotas e que traz todos esses dados, é relevante não só para a concessionária, como para nós, reguladores, na fiscalização desse processo”, afirmou.
Segundo ela, a Agrespi já levou à ONU um projeto semelhante, com dados sobre as rotas dos caminhões-pipa. “A gente pode aprimorar ainda mais para trazer mais transparência para o cidadão e eficiência no processo. Tem muita convergência com o que a gente faz e o que eles apresentaram”, disse.
Laécio Nascimento considerou o grupo vencedor o mais bem preparado e o que melhor dialoga com os desafios atuais do saneamento piauiense.
“Os pipas são utilizados nas situações que a gente chama de emergência e contingência, quando o abastecimento regular não chega até a nossa casa e a gente precisa recorrer a esses meios para abastecer as famílias e as comunidades”, explicou.
Itamar Júnior lembrou que a dependência do serviço é grande no interior. “É um projeto muito inovador, que busca melhorar essa logística dos caminhões-pipa, principalmente aqui no Piauí, onde a gente sabe que muitos municípios sofrem com a seca e ainda dependem muito desse serviço”, disse.
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