Quem recebe R$ 25 mil por mês como PJ pode precisar de R$ 180 mil de reserva

Profissionais que recebem por meio de pessoa jurídica podem precisar de uma reserva de emergência maior do que a de trabalhadores com renda estável. Em um cálculo de Bruno Guimarães, planejador financeiro, um profissional com retirada média de R$ 25 mil por mês e uma família que tem R$ 15 mil de despesas essenciais mensais chegaria a uma reserva de R$ 180 mil para cobrir 12 meses de gastos. A conta considera ainda que as retiradas desse profissional podem oscilar entre R$ 16 mil e R$ 35 mil ao longo dos meses.
O cálculo parte de uma diferença importante. Se fossem considerados seis meses de despesas, a reserva necessária seria de R$ 90 mil, resultado de R$ 15 mil multiplicados por seis. Ao ampliar a proteção para 12 meses, o valor dobra para R$ 180 mil. A diferença de R$ 90 mil, segundo o material de Guimarães, não decorre de uma mudança no perfil de risco do investidor, mas da própria característica de uma renda que pode variar significativamente de um mês para outro. “Renda por PJ raramente se comporta assim”, afirma.
A oscilação ajuda a explicar por que uma reserva calculada apenas sobre a média dos rendimentos pode não ser suficiente. No cenário apresentado, o profissional pode ter meses em que a retirada fica abaixo dos R$ 25 mil habituais, chegando a R$ 16 mil, enquanto em períodos mais favoráveis pode alcançar R$ 35 mil. Como as despesas essenciais da família permanecem em R$ 15 mil, uma reserva mais longa cria uma margem para absorver os meses de menor renda sem a necessidade de recorrer a investimentos de longo prazo.
O primeiro passo, porém, acontece antes mesmo da formação da reserva. Quem trabalha como PJ precisa distinguir os recursos que pertencem à empresa daqueles destinados à família, já que o dinheiro mantido no negócio pode ser necessário para capital de giro, impostos, folha de pagamento e períodos de menor atividade. “O caixa da pessoa jurídica não é o caixa da pessoa física”, explica Guimarães.
A separação dos recursos também permite estabelecer uma retirada mensal mais previsível e entender qual parcela da renda pode efetivamente sustentar o orçamento familiar. “O primeiro degrau é a gestão financeira organizada, com receitas e despesas conhecidas e acompanhadas, e com a separação efetiva entre o que é da empresa e o que é da família”, afirma o planejador.
Outro ponto considerado no planejamento é o risco já concentrado na própria atividade profissional. Para quem mantém uma parcela relevante do patrimônio no negócio, a renda e o patrimônio estão mais expostos ao desempenho da empresa, o que pode exigir maior liquidez na parcela financeira dos recursos. “O perfil de investimento entra antes do prazo nessa conversa, e ele não é permanente: muda com renda, composição familiar e patrimônio”, diz Guimarães.
Com os caixas separados e a reserva dimensionada de acordo com a realidade da renda, os investimentos de longo prazo passam a ser definidos a partir dos objetivos da família. A escolha dos produtos, portanto, deixa de ser o ponto de partida do planejamento. “O planejamento raramente começa na escolha de um investimento. Começa em saber, com precisão, quanto do que está em conta é da empresa e quanto é da família”, conclui o planejador.
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