Piauí ficará fora da rota de campanha de Lula e Flávio?

Faltando 40 dias para as Eleições 2026, as agendas dos principais nomes da disputa presidencial mostram ausência de paradas no Piauí. Até o momento, nem a assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem a de Flávio Bolsonaro (PL) confirmaram compromissos de campanha no estado. O que chama atenção é que lideranças locais de ambos os lados, admitem, nos bastidores, não saber se ou quando os presidenciáveis pisarão em solo piauiense.
A ausência é um cálculo político que passa pelo tamanho do eleitorado e de cada voto. Para Lula, o Piauí é solo fértil e histórico. Em 2022, o petista alcançou 74,25% dos votos válidos no primeiro turno, contra 19,9% de Jair Bolsonaro. Sob o palanque do governador Rafael Fonteles, a vinda de Lula cumpre menos o papel de “converter” e mais o de reenergizar a militância tradicional, além de abrir diálogo com um eleitorado jovem que não vivenciou o Lula 1 e 2 (2002-2010) e demonstra menor crença ao discurso do governo atual.
Já para Flávio Bolsonaro, o cenário exige fôlego. Sem o apoio explícito de Joel Rodrigues, que segue a mesma neutralidade do Progressistas nacional, o candidato bolsonarista teria em unanimidade apenas o palanque do PL Piauí. No entanto, Teresina possui setores médios que convergem com pautas conservadoras sociais e liberais econômicas, e a ausência do candidato na campanha pode evitar a construção de pontes no Nordeste e o fortalecimento do espólio político da direita para o futuro.
O eleitorado piauiense pode não ser o maior do país em volume absoluto, mas a presença física dos candidatos sinaliza prestígio e prioridade. No jogo eleitoral, espaço vazio é preenchido pelo esquecimento. Afinal, time que não entra em campo não tem torcida.
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