PF aponta MC Ryan SP como líder de organização criminosa; entenda

A Polícia Federal (PF) aponta que o cantor MC Ryan SP seria o “líder e beneficiário econômico da engrenagem” de lavagem de dinheiro investigada na Operação Narco Fluxo, deflagrada nesta quarta-feira (15).
A investigação apura um esquema com movimentação estimada em R$ 1,63 bilhão no Brasil e no exterior, em um modelo que mesclava receitas lícitas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.
A ação também levou à prisão do MC Poze do Rodo e do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, perfil de fofoca que tem mais de 27 milhões de seguidores no Instagram.
Como funcionava o esquema
O procedimento desta quarta-feira é um desdobramento da Operação Narco Bet, que apura o uso de apostas para a lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o grupo utilizava recursos de origem criminosa, inclusive do tráfico internacional de drogas, movimentados por dinheiro em espécie, transferências bancárias e criptoativos, especialmente o USDT (Tether).
Essa combinação de operações financeiras formais, transporte de dinheiro em espécie e transações com ativos digitais aumentava a complexidade do esquema e dificultava a identificação da origem dos recursos
O uso de criptoativos, de acordo com a investigação, também permitia a movimentação de valores no exterior, reduzindo a capacidade de rastreamento por autoridades brasileiras e levantando suspeitas de evasão de divisas.
Os investigadores apontam ainda o uso de estruturas empresariais para dar aparência legal aos valores movimentados. Essas empresas teriam sido utilizadas para misturar recursos lícitos e ilícitos, prática comum em esquemas de lavagem.
Como resposta, a Justiça determinou restrições societárias e o sequestro de bens ligados aos investigados, numa tentativa de interromper o fluxo financeiro.
Conforme a PF, MC Ryan SP (Ryan Santana dos Santos) atuaria no centro da organização, com participação no controle de “empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais”.
“Segundo apurado, o investigado teria estruturado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias a familiares e pessoas interpostas, utilizando operadores financeiros para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física antes de reinserilo na economia formal mediante aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor”, diz o mandado de busca e apreensão.
Entre os nomes citados na investigação está Chrystian Mateus Dias Ramos (Chrys Dias), apontado como um dos financiadores relevantes do esquema e ligado à empresa Casal Imports. Ele teria participado da movimentação de recursos oriundos de rifas digitais para empresas do grupo.
Estrutura operacional
A PF descreve uma organização com divisão de funções. Entre os citados estão:
– Tiago Oliveira, apontado como braço-direito de Ryan e responsável por centralizar e redistribuir recursos
– Alexandre Paula (“Belga” ou “Xandex”), que atuaria como intermediário entre plataformas de apostas e empresas do grupo;
– Rodrigo de Paula, descrito como contador e operador financeiro, com atuação na ocultação patrimonial
– Arlindma Gomes (“Nene Gomes”), ligado à logística financeira
– Lucas Felipe, apontado como “testa de ferro”, que teria exercido função de conta de passagem e aquisição de bens de luxo em nome de MC Ryan SP
– José Ricardo, identificado como marketeiro e operador financeiro.
Atuação dos MCs e dono da Choquei
Segundo a Polícia Federal, MC Poze do Rodo (Marlon Brendon Coelho Couto da Silva) “aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos oriundos de rifas digitais e aposta”.
Sobre o influenciador, a PF diz que o perfil Choquei atuava como “operador de mídia da organização”, recebendo altos valores diretamente de Ryan, Tiago e José Ricardo.
“Sua função consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagens relacionadas às investigações”, diz o pedido de busca e apreensão criminal da PF.
A assessoria da Choquei foi procurada, mas não respondeu até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
Operação e medidas judiciais
Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de bens e outras medidas para atingir a base financeira do grupo.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos “veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos”, que devem subsidiar o aprofundamento das investigações.
Ao todo, foram expedidos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, cumpridos em nove Estados e no Distrito Federal por determinação da Justiça Federal em Santos (SP).
Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
SBT News




