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Vorcaro teria pedido ajuda de Moraes para frear PF, diz jornal

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e obtidas pelo Estado de S. Paulo indicam que o dono do Banco Master pediu reiteradamente a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre a instituição.

Paralelamente, o ministro André Mendonça, do STF, pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR), na segunda-feira (31), esclarecimentos sobre uma mensagem encontrada pela PF no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. No registro, Vorcaro teria pedido a um interlocutor que reforçasse com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet a necessidade de protegê-lo. Mendonça deu cinco dias para a PGR se manifestar. A informação foi revelada pelo Metrópoles e confirmada pelo SBT News.

As mensagens mostram que Vorcaro falava com Moraes e que os contatos se estenderam até poucas horas antes da primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025.

Conforme o material, as mensagens eram encaminhadas em modo de visualização única, por meio de capturas de tela de textos escritos no aplicativo de notas. Por isso, a investigação teve acesso às mensagens enviadas pelo ex-banqueiro, mas não recuperou as respostas do ministro.

Veja as mensagens entre Vorcaro e Moraes

Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro pediu que Moraes conversasse com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet para evitar ações de delegados e procuradores contra o Banco Master:

“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve.”

Na mesma conversa, o ex-banqueiro afirmou que havia recebido informações sobre uma possível medida contra ele e disse que a situação estaria provocando preocupação no Banco Central.

“Acho que após reunião com ambos e tendo conforto dos dois, valeria a pena dar segurança pro G [provável referência a Galípolo] que não haverá a sacanagem. E do meu lado estou cumprindo tudo aqui que comprometi.”

Pouco depois, Vorcaro elogiou Moraes: “Tudo de importante fica no seu colo! Impressionante! Mas seu legado pro Brasil será eterno. Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidará como a pessoa mais importante do país.”

“Do meu lado, estou vendo chance real de sair ainda mais forte, e pode contribuir também inclusive com o Brasil”, seguiu Vorcaro. “Temos só que bloquear essa sacanagem porque é muita gente querendo que não dê certo, ainda mais agora que estão sentindo que podem não conseguir.”
Na sequência, escreveu: “Juntos em tudo. Muito obrigado por tudo. Esse fim de semana tratarei do tema lá fora e te dou notícia.”

Pedidos nos dias anteriores à prisão

Em 4 de novembro, Vorcaro voltou a procurar Moraes e perguntou sobre possíveis medidas envolvendo o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito: “Não sei nem do que se trata pra poder atuar. Se vier algo Bacen entrará na hora. Já me avisaram isso. FGC (Fundo Garantidor de Crédito) tb. Ele não consegue segurar isso? Ou passar de onde seria pra podermos tentar falar com o Paulo.”

No dia seguinte, afirmou estar sem informações sobre qual investigação estaria em andamento e citou conversas de seus advogados com Paulo Gonet.

“Na verdade estou um pouco perdido pois não sei nem qual inquérito é. Estou com o Pier [Pierpaolo Cruz Bottini, advogado criminalista] e o Podval [Roberto Podval, criminalista], falaram com o Paulo ambos, mas foi dito que nem um número tinha ainda, que estava designando a pessoa que iria cuidar.”

Vorcaro também disse que não tomaria medidas sem a aprovação de Moraes: “O Pierpaolo estava querendo fazer uma petição nos órgãos pra nos colocar à disposição e pra ter conhecimento se existem inquéritos. Acha que vale a pena? Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo.”

Ainda segundo a mensagem, o ex-banqueiro afirmou: “Estamos no escuro, o Paulo só disse que estava olhando pessoalmente e que não teria sacanagem. Mas ontem ligou o alerta vermelho né? Uma ação desmedida coloca em risco milhões de clientes.”

Em 15 de novembro, dois dias antes da primeira prisão, Vorcaro perguntou diretamente se seria possível reverter o avanço das investigações:

“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso.”
Já em 16 de novembro, menos de 24 horas antes de ser preso, o ex-banqueiro questionou Moraes sobre a possibilidade de segurar as medidas: “Ele tá sabendo das soluções? E quer antecipar pra não deixar acontecer? Qual sua leitura? O que tá havendo? E com Andrei dá pra segurar?”

Minutos depois, às 16h57, Vorcaro pediu que Moraes tentasse convencer o diretor-geral da PF a adiar as medidas:

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível.”
Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando estava prestes a embarcar para Dubai.

Moraes teria editado contrato de Viviane Moraes com Vorcaro

O Estado de S. Paulo também revelou que o ministro Alexandre de Moraes teria sido responsável pela última edição de um contrato de serviços advocatícios de R$ 131,27 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. A informação foi revelada a partir dos metadados do documento encontrado no celular do banqueiro.

As mensagens mostram que a negociação começou em 11 de janeiro de 2024, quando Viviane enviou diretamente o documento a Vorcaro pelo WhatsApp. Na ocasião, escreveu: “Prezado Daniel, boa tarde. Conforme conversamos, estou enviando minuta de contrato de prestação de serviços para sua análise. Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Abraço. Viviane Barci de Moraes.”

Quatro dias depois, em 15 de janeiro, o banqueiro respondeu após fazer uma alteração no arquivo: “Boa noite! Segue o documento preenchido. Foi incluída apenas a cláusula I.3. Por favor, nos indique se está adequada. Caso estejam de acordo, combinamos a assinatura! Um abraço.”

De acordo com os metadados, depois que Vorcaro devolveu o documento, o arquivo foi aberto e modificado no Office 365 por um perfil denominado “Ministro Alexandre de Moraes”. A alteração aparece registrada às 23h04 de 15 de janeiro, cerca de uma hora e 40 minutos depois da mensagem do ex-banqueiro. Na versão analisada, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório de Viviane, aparece como autor original.

Em 17 de janeiro, Viviane Barci de Moraes enviou a minuta do contrato a Vorcaro. Cinco dias depois, o banqueiro perguntou como seria feita a assinatura, e ela orientou o envio das vias físicas ao administrador do escritório, pedindo que fossem encaminhadas em um “envelope lacrado e confidencial”. Após a assinatura, em 24 de janeiro, Viviane voltou a pedir o documento assinado digitalmente e concordou com o envio por assinatura eletrônica para que as partes pudessem assinar o mesmo arquivo.

O contrato tinha valor bruto total de R$ 131,27 milhões. Documentos enviados à CPI do Crime Organizado apontaram ainda que o Banco Master fez 22 pagamentos ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, totalizando R$ 80,2 milhões.

SBT News

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