Irresponsável, diz Lula após EUA negarem visto a embaixadora

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (5) que o governo dos Estados Unidos não dá importância à embaixada norte-americana no Brasil e classificou como “atitude irresponsável” e “impensada” a revogação da gestão Donald Trump ao visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Em entrevista ao canal Meteoro Brasil, no YouTube, o mandatário lembrou o episódio em que o Itamaraty negou visto a dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA que supostamente viajariam ao Brasil para questionar as urnas eletrônicas.
“Aí veio questão da embaixada”, disse o petista. “O que aconteceu é que os Estados Unidos não deram importância pra embaixada no Brasil. Não mandou [embaixador] pra cá”, continuou, em referência à vacância no cargo desde a saída de Elizabeth Bagley, do então governo de Joe Biden, e o início do segundo mandato de Trump. “Aí tentam mandar e acham que a gente tem obrigação de fazer na data que eles querem. Não é correto. Queremos ser tratados com respeito”, falou.
Os EUA revogaram visto de Viotti após o governo Lula demorar para dar aval diplomático a Daniel Perez, indicado pela gestão Trump para trabalhar como embaixador norte-americano no Brasil. “Nossa embaixadora vai ter que tirar visto outra vez”, declarou o petista. “Ele [Trump] tomou atitude irresponsável, impensada”, seguiu.
Em nota, o Planalto disse nessa terça (4) que a atitude norte-americana “faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas”. Ainda falando de Estados Unidos, Lula avisou que o país “não só está preparado, como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral”.
“Agora, se quiser vir aqui secretário de Estado pra fazer comício pro adversário, é até bom. Eu quero, de uma vez só, derrotar todos eles juntos”, brincou, sem citar Marco Rubio e o provável principal adversário nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Não se metam. Duvido que no país deles tenha sistema eleitoral mais honesto que o nosso.”
O petista informou que o pleito de 2026 será o último dele e lamentou vitórias recentes de nomes da extrema direita em países da América Latina. Para ele, a região “nunca foi de esquerda, sempre foi de direita”, mas viveu um “momento progressista” de 2000 a 2012. Em um eventual quarto mandato, falou que tentará “reconstruir uma aliança na América do Sul”.
“As pessoas têm que aprender que relação entre Estados não é ideológica, é de interesses do Estado”, continuou, sem referência à onda de declarações contra ele dadas pelo presidente da Argentina, Javier Milei. “Eu não preciso gostar de ninguém, e ninguém precisa gostar de mim. Se a gente estiver irmanados em grupo, a gente forma um bloco mais forte pra negociar com União Europeia, na OMC, pra discutir conflitos que temos que discutir”, completou, afirmando que não vai “levar em conta o comportamento ideológico dos presidentes pra manter relação”.
Lula ainda falou de questões internas. Disse que, por causa do “desgoverno” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o “Congresso se apoderou do Orçamento da União” e que é preciso que “a gente restabeleça o regime presidencialista”. “Eu vou conversar. Não vou dizer que a gente vai brigar com o Congresso. Mas vamos tentar mudar essa questão do Orçamento. É preciso voltar a arrumar a mesa do jogo e colocar cada pedra no seu lugar. Quando tabuleiro estiver bem formado, o jogo vai ser melhor”, acrescentou.
Também na pauta econômica, avaliou que “no Brasil o Estado foi aprisionado pela Faria Lima” ao criticar o teto de gastos. “Você está limitando a capacidade de investimentos. Se quer construir alguma obra importante com benefício pro país, é gasto ou investimento? É investimento. Se o Estado quiser fazer dívida com isso, pode fazer”, comentou.
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