Brasil sinaliza acordo aos EUA para evitar tarifaço sobre produtos brasileiros

O Brasil deve mudar sua posição na Organização Mundial do Comércio (OMC) e retirar o veto a um acordo global sobre comércio eletrônico, em uma tentativa de avançar nas negociações com os Estados Unidos e evitar a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. A mudança ocorre em meio às conversas entre os dois países e pode ser apresentada oficialmente nos próximos dias durante as tratativas comerciais conduzidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entenda o impasse na OMC
A discussão gira em torno da chamada moratória do comércio eletrônico, acordo internacional criado em 1998 que impede a cobrança de tarifas sobre transmissões digitais, como serviços de streaming, downloads de aplicativos e armazenamento em nuvem.
Durante a última conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada em março, o Brasil bloqueou a renovação do acordo ao defender um prazo menor de extensão. Enquanto os Estados Unidos defendiam uma renovação permanente e depois aceitaram ampliar a validade até 2031, o governo brasileiro insistiu em um período máximo de dois anos.
Como as decisões da OMC dependem de consenso entre os países-membros, a posição brasileira acabou impedindo a aprovação da proposta. A medida gerou forte reação da delegação americana e ampliou as divergências comerciais entre os dois países.
Mudança de postura nas negociações
Agora, diante da ameaça de novas tarifas por parte da administração do presidente Donald Trump, o governo brasileiro avalia flexibilizar sua posição. A intenção é aceitar uma renovação da moratória por um período entre quatro e cinco anos, aproximando-se da proposta defendida pelos norte-americanos.
A estratégia é vista como um gesto diplomático para demonstrar disposição ao diálogo e facilitar um acordo mais amplo nas negociações bilaterais. Além das tarifas de importação, as conversas também envolvem temas como comércio eletrônico, minerais críticos e cooperação econômica.
Segundo diplomatas brasileiros, a mudança não significa abandono das críticas feitas pelo Brasil ao atual funcionamento da OMC, especialmente em relação à falta de avanços na reforma do sistema internacional de comércio.
Tarifaço preocupa exportadores
A preocupação do governo brasileiro aumentou após a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, medida que pode atingir diferentes setores da economia nacional.
O tema está sendo analisado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por elaborar relatórios e recomendações comerciais para a Casa Branca. A expectativa é que uma definição ocorra até 15 de julho, data mencionada em documentos do governo americano.
Para evitar um agravamento da disputa comercial, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do USTR devem realizar uma nova rodada de negociações nos próximos dias.
Governo ainda não confirma decisão
Apesar das informações sobre uma possível mudança de posicionamento, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirmou que, até o momento, não existe uma revisão oficialmente fechada sobre o tema.
As negociações continuam em andamento e a expectativa é de que os próximos encontros entre autoridades brasileiras e americanas definam os rumos do acordo e a possibilidade de evitar novas barreiras comerciais entre os dois países.
meionorte




