Acervo com quase 30 mil discos preserva a história da música piauiense

Em meio a tantas mudanças na forma de ouvir música, os discos de vinil continuam guardando histórias que atravessam gerações. Em Teresina, um acervo com quase 30 mil discos reúne raridades da música piauiense e brasileira, preservando parte da memória cultural do estado. A coleção pertence ao artista plástico e colecionador Pádua Andrade, que também guarda mais de 70 vitrolas e peças artísticas inspiradas na história do Piauí.
Entre os discos estão registros de nomes importantes da música piauiense, como Lázaro do Piauí, Torquato Neto, Geraldo Brito, Aurélio Melo, Zé Rodrigues, Edvaldo Nascimento, Banda Vênus e Lena Rios. A coleção reúne obras de diferentes épocas, incluindo gravações raras que não chegaram a alcançar um público amplo.
“Discos piauienses nós temos aqui muitos, muitos discos representativos da história da música. Nós temos discos históricos, nós temos discos raros, nós temos discos de grandes artistas do Piauí e nós temos discos que são do conhecimento do público interno, mas que não chegaram [ao grande público] por alguma razão”, conta Pádua Andrade.
O colecionador destaca que o período de maior força do vinil no Brasil, especialmente no Piauí, foi dos anos 1960 ao final dos anos 1980. Entre as peças preservadas, há um disco que ele classifica como raríssimo: uma gravação da banda de música do Piauí, marcada por um contexto político e social.
Mais de 70 vitrolas e uma viagem no tempo
Foto: Reprodução / TV Cidade Verde

A paixão pela música não se limita aos discos. O acervo também reúne mais de 70 vitrolas, de modelos capazes de reproduzir discos de 78 rotações a equipamentos de períodos mais recentes. Esculturas, estatuetas e gravuras completam a coleção.
“Este acervo não podia se resumir só nas peças de vinil. Ele tem esculturas, tem estatuetas, tem gravuras e tem também um número de mais de 70 vitrolas, porque são peças que fui adquirindo para mostrar um pouco da sua história”, explica o artista.
Cada objeto ajuda a contar uma parte da evolução da música e dos equipamentos usados para reproduzi-la, mantendo viva uma experiência sonora que marcou diferentes gerações.
Arte inspirada na história do Piauí
A identidade piauiense também está presente nas obras de Pádua Andrade. Em seu trabalho artístico, ele representa elementos ligados à história, à cultura e à natureza do estado, como a Batalha do Jenipapo, o vaqueiro, o pica-pau-do-piauí e a carnaúba.
O artista explica que esses símbolos foram reunidos em quadros para valorizar referências que ajudam a construir a identidade local. A carnaúba, conhecida como “árvore-mãe”, aparece como representação da importância dessa espécie para a vida e a cultura do estado.
“O meu trabalho é em cima do que é o nosso Nordeste, o nosso Piauí, e desse contexto e caldeirão cultural. É em cima disso que eu faço esse trabalho”, afirma.
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