Gasolina aumenta mais de 60% com guerra no Irã e pressiona preços no Brasil

custo para importar gasolina disparou nas últimas semanas e aumentou a pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Segundo estimativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a alta chegou a 61% desde o início da guerra no Oriente Médio, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional.
O avanço no preço internacional reacendeu discussões sobre um possível reajuste nas refinarias brasileiras, especialmente diante da defasagem entre o valor praticado internamente e o preço de paridade de importação.
De acordo com os dados da ANP, o preço de paridade de importação da gasolina passou de R$ 2,45 para R$ 3,95 por litro. Esse indicador representa quanto custaria trazer o combustível do exterior e serve como referência para o mercado e para importadores.
Apesar da forte elevação, a Petrobras ainda não promoveu reajustes no preço da gasolina desde o início do conflito no Oriente Médio. Especialistas do setor avaliam que a estatal pode aguardar uma definição sobre possíveis medidas tributárias antes de decidir qualquer mudança.
Atualmente, o valor médio da gasolina nas refinarias da Petrobras está cerca de R$ 1,51 por litro abaixo da paridade calculada pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o que aumenta a pressão por uma eventual correção.
O Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também discute alternativas para amenizar o impacto no bolso do consumidor. Uma das possibilidades em análise é utilizar receitas extras geradas pela alta do petróleo para reduzir impostos sobre gasolina e etanol, como PIS/Cofins e Cide.
A estratégia já foi adotada anteriormente com o diesel. Na ocasião, o governo zerou o PIS/Cofins sobre o combustível, enquanto a Petrobras aplicou um reajuste de R$ 0,38 por litro, valor superior à renúncia fiscal estimada em R$ 0,32 por litro.
No cenário internacional, analistas projetam que os preços do petróleo devem continuar elevados enquanto persistirem as incertezas envolvendo o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Mesmo em caso de solução diplomática, a expectativa é de que o mercado leve algum tempo para se estabilizar. Estimativas do banco Scotiabank apontam que o barril do petróleo Brent poderia recuar para a faixa entre US$ 80 e US$ 85, ainda acima das projeções anteriores, que variavam entre US$ 60 e US$ 70. Atualmente, a cotação supera os US$ 100.
O diesel foi o primeiro foco das medidas do governo por conta da maior dependência externa. O Brasil importa cerca de 30% da demanda do produto, o que levou à criação de um programa de subvenção para estimular a importação.
Já no caso da gasolina, as importações representam cerca de 10% do consumo nacional, e o uso do etanol como alternativa ajuda a reduzir o risco imediato de desabastecimento no país.
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