Só falarei do tarifaço quando Trump falar, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (17) que só vai fazer uma declaração pública sobre o tarifaço a produtos brasileiros depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na quinta (16), o presidente escalou ministros e autoridades do governo para reagir às sobretaxas, mas não se envolveu diretamente em nenhum pronunciamento.
Com discurso sob várias amarras da lei eleitoral, Lula esteve no Rio de Janeiro para visitas à carreta da saúde da mulher junto ao prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) e o governador interino Ricardo Couto.
Ao longo de 20 minutos, o presidente contou histórias da própria vida ao falar sobre o direito universal de acesso à saúde e evitou tocar em temas políticos, que podem ser explorados por adversários na Justiça durante o período de defeso eleitoral, quando quem disputará cargos públicos não pode fazer entregas ou propaganda de governo sob o risco de incorrer no crime de abuso de poder político e econômico.
“Vocês percebem, companheiros da imprensa, que eu falei para caramba e não falei do tarifaço. A notícia tem quer ser o SUS, as nossas carretas, a notícia tem que ser o tratamento das mulheres. Por isso, eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei, porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro do que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, afirmou.
Na quinta, o governo convocou coletiva com ministros de pastas como a Fazenda, Indústria e Relações Exteriores, além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Cada um cuidou de falar sobre a parte que atingia a sua área de competência nas alegações formalizadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) para justificar a tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.
Até o momento, Trump também não se pronunciou sobre o assunto. A responsabilidade ficou restrita ao secretário de Estado, Marco Rubio, que acusou Lula de não ter negociado “de boa-fé” com o governo americano. A declaração foi rebatida pelo chanceler Mauro Vieira, que afirmou que Rubio e referia ao presidente brasileiro de forma “grosseira e arrogante”.
“Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou a sua disposição em negociar qualquer tema. Nesse sentido, as declarações do secretário Marco Rubio […] são inaceitáveis, ofensivas ao povo e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo”, disse em coletiva no Itamaraty na quinta.




