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Defesa da DF Trader questiona prisões e busca soltura de investigados no Piauí

A equipe de defesa da empresa DF Trader divulgou nesta quarta-feira (15) uma nota à imprensa afirmando que as prisões efetuadas durante a operação que investiga a empresa são “desproporcionais e juridicamente questionáveis”. Segundo os advogados, a legalidade das medidas já está sendo discutida na Justiça.

O proprietário da empresa, o trader Douglas Fonseca, e outros 11 investigados foram presos durante uma operação deflagrada no dia 10 de julho. O grupo é investigado pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a nota, devido às medidas cautelares impostas, a empresa está impossibilitada de desenvolver suas atividades, realizar pagamentos ou fazer qualquer movimentação financeira, sob pena de descumprimento de ordem judicial.

A defesa informou ainda que busca a soltura dos envolvidos.

“A defesa reitera sua convicção de que as prisões efetuadas são desproporcionais e juridicamente questionáveis, razão pela qual sua legalidade já está sendo discutida no Poder Judiciário. Paralelamente, seguimos atuando para buscar a revisão das demais cautelares impostas, por compreender que a retomada das atividades empresariais constitui passo indispensável para a reconstrução da capacidade operacional e financeira da empresa. Restabelecidas as atividades, a DF TRADER iniciará o processo de contato com todos os investidores para negociar e regularizar as pendências eventualmente existentes da melhor forma jurídica e operacional possível”, afirmou.

As recentes ameaças relatadas pela empresa também foram alvo de críticas por parte da defesa.

“Lamentamos e repudiamos os relatos de ameaças e constrangimentos dirigidos a consultores, parceiros e familiares, reiterando que essas pessoas não possuem qualquer controle sobre os ativos e recursos atualmente indisponíveis por determinação judicial. Eventuais condutas que extrapolem os limites da legalidade já estão sendo apuradas, com a adoção das providências necessárias para a responsabilização criminal dos respectivos autores”, destacou.

A equipe de defesa afirmou ainda que os inquéritos tramitam em sigilo, “razão pela qual terceiros não possuem acesso ao conteúdo dos autos nem às informações necessárias para prestar esclarecimentos públicos com segurança e fidelidade aos fatos”.

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A Operação

O proprietário da empresa, o trader Douglas Fonseca, e outros 11 investigados foram presos durante uma operação deflagrada no dia 10 de julho. O grupo é investigado pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a polícia, já passa de mil o número de pessoas que registraram boletim de ocorrência contra a empresa DF TraderSegundo Matheus Zanatta, desde o início da operação, o número de denúncias cresceu rapidamente, com vítimas em diversos estados.

“Desde a data em que deflagramos a operação, na última sexta-feira (10), até o fim da tarde de ontem, mil novos boletins de ocorrência foram registrados contra esse grupo. Possivelmente, ainda devem aparecer mais vítimas. Há vítimas em vários estados da federação, principalmente no Piauí e também no Maranhão”, afirmou.

O delegado reforçou que pessoas que tenham sido vítimas do grupo devem registrar boletim de ocorrência em qualquer delegacia ou por meio do WhatsApp do BO Fácil, no número 0800 086 0190.

A Polícia Civil também instaurou um inquérito para apurar a prática de lavagem de dinheiro. O objetivo é localizar bens e valores que possam ser bloqueados para garantir eventual ressarcimento às vítimas. Durante a operação, a polícia apreendeu veículos de luxo, relógios de alto valor, armas de fogo, documentos, contratos e outros materiais que passarão por análise durante a investigação.

O delegado Matheus Zanatta informou que também foram determinados bloqueios de ativos financeiros dos investigados. No entanto, segundo ele, nas contas do empresário Douglas Fonseca foi encontrado um valor considerado baixo.

Durante o interrogatório, segundo o delegado,  o empresário Douglas Fonseca afirmou possuir quase R$ 1 bilhão fora do Brasil. A informação, no entanto, ainda será verificada.

“Estamos instaurando o inquérito de lavagem de dinheiro para tentarmos localizar outros valores e pedir o bloqueio desses recursos, garantindo o ressarcimento integral às vítimas. O Douglas, durante o interrogatório, afirmou que tem quase R$ 1 bilhão fora do Brasil. Ainda precisamos verificar essa informação. Se ela for confirmada, vamos solicitar o bloqueio desses valores, porque o mais importante neste momento é tentar recuperar o dinheiro perdido pelas vítimas”, disse.

Uma nova denúncia aponta que o grupo investigado também pode ter atuado na captação de investidores em igrejas evangélicas. Conforme o relato, líderes religiosos receberiam uma comissão de 10% por cada pessoa indicada para investir na empresa. Questionado sobre o assunto, Matheus Zanatta afirmou que a informação ainda está sendo apurada.

“Recebemos essa informação de maneira informal e vamos aprofundar as investigações para verificar se ela realmente procede. Se for comprovado que essas pessoas participaram da captação de novos investidores agindo de má-fé, elas também serão responsabilizadas no inquérito policial”, afirmou.

As investigações seguem em andamento.

cidadeverde

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