Esquema de agiotagem com estrangeiros funcionava como franquia no Piauí

Na manhã desta quinta-feira (05), a operação prendeu 14 pessoas e cumpriu mandados em Teresina, nas regiões Norte e Sul do Piauí, além do município de Petrolina, em Pernambuco. Ao todo, foram apreendidos cerca de R$ 6 mil, além de objetos e materiais que comprovam a atuação criminosa.
Em entrevista coletiva, a polícia destacou que, na segunda fase da operação, foi possível obter novas informações sobre o funcionamento do esquema criminoso.
Segundo o delegado Filipe Bonavides, o esquema funciona como uma franquia, em que pessoas são trazidas para um local específico, desempenham funções definidas e vivem em constante rotatividade de endereços. Um dos conduzidos nesta fase afirmou que teria vindo ao Piauí em janeiro para atuar como cobrador, mantendo contato direto com os devedores. Ele relatou ainda a aplicação de juros diários que variavam de 5% a 20%.
“Um dos interrogados afirmou que veio da Colômbia, foi para São Paulo, trabalhou com tecidos, na pandemia recebeu a proposta para trabalhar com dinheiro em São Paulo, pessoas da Colômbia vendem bens para conseguir dinheiro, que é o capital inicial, e transferem para cá. Ele passou um tempo em São Paulo, depois veio para cá, depois voltou para São Paulo e retornou para cá em janeiro. Estava em uma casa que eram de dois alvos nossos que estão foragidos. Ele não foi preso, mas prestou informações”, conta o delegado.
Foto: Divulgação / SSP-PI
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A investigação também apontou que a organização criminosa realiza a cooptação de pessoas, muitas vezes vindas de outros estados, que ao chegarem ao Piauí passam a exercer funções específicas dentro da estrutura do grupo.
“Eles integram realmente uma verdadeira organização criminosa, com divisão de tarefas. Por exemplo, tem a pessoa que dá o dinheiro, a outra que faz o empréstimo, a outra pessoa que faz a cobrança, o outro que vai controlando quem já pagou, quem não pagou, e o dinheiro arrecadado é enviado a um líder. Essa pratica por agiotagem de estrangeiros se disseminou pelo Brasil todo”, explica o delegado Matheus Zanatta.
A polícia agora analisa todo o material apreendido e espera identificar o destino do dinheiro. A suspeita é de que existam líderes da organização fora do país. No exterior, os valores seriam submetidos à lavagem de dinheiro e posteriormente enviados ao Brasil para novos empréstimos.
“A gente tem um cenário de cooptação no país de origem. Esses colombianos já vêm para cá, que trabalham nessa atividade, designados para isso. Há todo um trabalho de análise financeira, análise telemática, análise de comunicação para gente entender se há um fluxo comum, final, destinatário para esse dinheiro. Temos uma gama enorme de informações que estão sendo analisadas”, explica o delegado Rony Silveira.
Foto: Divulgação / SSP-PI
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