Sexta-feira 13: medo da data, que se repete 3 vezes em 2026, tem nome; entenda superstição

Hoje é sexta-feira, 13, uma data que causa desconforto em muitas pessoas ao redor do mundo já que, para alguns, ela é associada ao azar. A aversão está ligada a superstições antigas que envolvem o número 13 e a sexta-feira, considerados, por diversos fatores históricos e culturais, dias de mau presságio (entenda abaixo).
Acredite ou não, o medo do número 13 é tão comum que até tem nome: triscaidecafobia. O termo foi criado em 1910 por Isador Coriat, em um livro chamado ‘Psicologia Anormal’, onde o psiquiatra americano tentava entender por que o subconsciente se apega a essas coisas. Já o medo específico das sextas-feiras 13 recebeu o nome de frigatriscaidecafobia ou parascavedecatriafobia.
Em 2026, a parcela da população que tem essa aversão deve se preparar. Além desta sexta, a data se repetirá outras duas vezes: no dia 13 de março e em 13 de novembro.
Mas por que a data incomoda tanto?
A superstição em torno da data remonta a várias tradições. No Cristianismo, por exemplo, o número 13 apareceu na Santa Ceia com a presença de Jesus Cristo e seus 12 apóstolos. Além disso, a sexta-feira é o dia tradicionalmente associado à crucificação de Cristo.
Para os nórdicos, está associado a uma história que envolve Loki, o deus da discórdia e do fogo. Odin teria realizado um banquete em que convidou outros doze deuses, totalizando 13. Loki não foi convidado e, em resposta, começou uma confusão, que acabou resultando na morte de um deles.
Além disso, nos jogos de tarô, de acordo com o teórico Antoine Court de Gébelin, o 13 era “toujours regarde comme malheureux” (“sempre considerado como azarado”).
Já para o pesquisador Joe Nickell, tudo começa com o número 12. Em várias culturas, ele é considerado símbolo de “completude”: 12 meses no ano, 12 signos do zodíaco, 12 apóstolos, 12 deuses do Olimpo. Aí vem o 13, na sequência, quebrando esse padrão.
A fama da data de azarenta só cresceu com filmes – especialmente os de terror – e toda a cultura pop, no geral.
E de onde vêm as superstições?
Superstições costumam aparecer em momentos de insegurança, estresse ou quando a gente sente que perdeu o controle das coisas. É como se o cérebro precisasse de uma explicação mágica para dar conta do caos. Aí entra o pensamento de que tem algo maior, invisível, observando nossas atitudes.
O historiador religioso David Kling, da Universidade de Miami, explica que até quem se diz cético ou ateu acaba sendo meio supersticioso. “Em um experimento, pessoas acreditavam que influenciavam eventos, mesmo quando isso era impossível – acreditando que ajudaram um jogador a marcar um gol em um jogo de basquete ao desejar o resultado ou que haviam prejudicado alguém ao enfiar alfinetes em um boneco de vodu”, conta ele.
Pra Kling, essas crenças supersticiosas vêm como uma forma de administrar a recompensa e a punição sobrenaturais e, embora aparentemente absurdas, são tentativas de exercer algum controle sobre eventos imprevisíveis. É uma forma de negociar com o acaso, digamos assim.
Ciência x superstição
A professora Catherine Newell, também da Universidade de Miami, lembra que o conceito de “falseabilidade”, trazido à tona por Karl Popper, é um ponto de colisão entre ciência e superstição. O conceito do filósofo diz que uma teoria científica só seria válida se pudesse ser provada errada, algo difícil de aplicar ao universo das superstições.
“Não há como saber se usar suas meias da sorte ou fazer um ritual específico antes de um jogo realmente influencia o resultado”, ressalta Newell.
Mesmo assim, muita gente segue acreditando. E não só gente comum: o físico Niels Bohr, ganhador do Prêmio Nobel, tinha uma ferradura pendurada na porta. Quando perguntaram se ele acreditava em sorte, ele respondeu com ironia: “Disseram-me que a ferradura traz sorte, quer eu acredite ou não”.
No fim das contas…
Por mais que o mundo esteja cada vez mais científico e conectado, ainda somos humanos – e humanos gostam de significados, de rituais, de padrões. Em tempos difíceis, às vezes é reconfortante fazer um gesto aparentemente bobo, mas que nos dá uma sensação de proteção.
Se dá sorte ou azar? Ninguém sabe. Mas se acreditar ajuda, talvez já valha a pena.
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