Presidente Lula diz que prisão de Maduro é “inaceitável” e “não há explicação”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “inaceitável” a captura e prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e defendeu que qualquer julgamento contra o líder da Venezuela ocorra no próprio país, e não em território estrangeiro.
Em entrevista concedida nesta sexta-feira (20) ao canal de televisão indiano India Today, durante visita à Índia, Lula afirmou que não é aceitável que um chefe de Estado seja preso por outro país e que o processo deve ser conduzido pela Justiça venezuelana. “Não podemos aceitar que o chefe de Estado de um país invada outro país e prenda o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso”, declarou o presidente brasileiro, segundo trecho da entrevista.
O presidente brasileiro aproveitou para ressaltar que o mais importante, no momento, é consolidar o processo democrático na Venezuela e trabalhar pela restauração da democracia no país vizinho. Lula também criticou a interferência de uma nação sobre outra, apontando que tais ações ferem a soberania nacional.
Lula já vinha se posicionando contra a ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela desde que o episódio ocorreu no início do ano. Em janeiro, o governo brasileiro afirmou que a ação militar americana, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa Cilia Flores, havia ultrapassado uma “linha inaceitável” e representado uma afronta à soberania venezuelana e ao direito internacional, segundo autoridades brasileiras.
Captura de Maduro
No dia 3 de janeiro, Maduro e sua esposa foram capturados por forças militares dos Estados Unidos em Caracas e transferidos para Nova York, onde aguardam julgamento sob acusações de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro apresentadas pelas autoridades americanas. Maduro nega as acusações e afirma ser inocente.
Após a prisão do ditador, a Venezuela passou por um processo de rápidas mudanças políticas, com maior aproximação de interesses entre Caracas e Washington – movimento que também tem gerado reações diversas no cenário internacional.
Lula ainda aproveitou a entrevista à India Today para comentar que pretende propor ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cidadãos brasileiros acusados de crimes nos EUA sejam julgados no Brasil, além de discutir cooperação em temas como crime organizado, tráfico de drogas e comércio de minerais estratégicos.
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