Política

Michel Temer nega ter orientado Moraes a se afastar do caso Master: “não me atrevi”

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que nunca interferiu ou tentou influenciar decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao comentar as repercussões envolvendo a indicação do magistrado e suas conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (10), Temer disse que confia na independência do ministro e negou qualquer tentativa de orientação. “Eu conheço bem o Alexandre e sei que ele decide por conta própria, assim como, penso eu, as eventuais sugestões do senhor presidente da República, o Alexandre pode ouvi-las, mas eu tenho absoluta convicção de que a decisão é exclusivamente dele. Não será uma ou outra afirmação, uma ou outra sugestão, uma ou outra orientação que ele receba. Ele saberá o que fazer, não tenho a menor dúvida disso. Por isso, digo a você que jamais me atrevi a dar uma orientação a ele”, declarou.

Foto: Reprodução
Michel Temer

Michel Temer

A declaração ocorre em meio às discussões sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo o ministro e o caso do Banco Master, após revelações sobre mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula também foi citado em aconselhamento

Durante a entrevista, Temer também comentou a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou ter aconselhado Moraes a se declarar impedido de julgar o caso para preservar sua biografia. O episódio envolve investigações relacionadas à atuação do ministro nos julgamentos dos atos de 8 de janeiro de 2023.

Temer evitou comentar diretamente a fala de Lula, mas reforçou que decisões do Supremo são de responsabilidade exclusiva dos ministros.

Honorários e contratos em discussão

O ex-presidente também aproveitou a entrevista para esclarecer os valores recebidos do Banco Master. Segundo ele, os R$ 10 milhões citados em reportagens correspondem a honorários por serviços de consultoria jurídica.

“Eu saí da vida pública e tenho que sobreviver, e sobrevivo com a minha profissão, que é de advogado”, afirmou.

As discussões sobre o caso ganharam repercussão após a divulgação de mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes no celular de Daniel Vorcaro e a existência de um contrato de R$ 129 milhões com o escritório Barci de Moraes, fatores que intensificaram o debate público sobre a atuação do ministro e possíveis questionamentos de credibilidade envolvendo o STF.

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