Greve no HU-UFPI chega a 70% de adesão e mantém serviços essenciais ativos

Cerca de 70% dos trabalhadores do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), vinculados à Ebserh, atualmente chamada de HU Brasil, aderiram à greve nacional da categoria em Teresina. O movimento, iniciado nesta semana, cobra reajuste salarial, reposição de perdas acumuladas e melhores condições de trabalho.
Procurada, a HU Brasil informou que ingressou nesta quarta-feira (1º) no Tribunal Superior do Trabalho com pedido de dissídio coletivo de greve. Confira a nota completa ao fim da reportagem.
Apesar da paralisação, serviços considerados essenciais seguem funcionando parcialmente, como UTIs, oncologia e cirurgias de urgência.
O diretor do sindicato dos enfermeiros no Piauí, Pablo Moura, afirma que a greve é resultado de um processo de desgaste que se intensificou nos últimos anos.
“Esse momento de greve, esse movimento de reivindicação, ele se faz importante porque o servidor busca uma valorização. Desde a pandemia houve uma desvalorização desses empregados. O que se busca agora é uma reparação, nem tanto do presente, mas do passado.”
Segundo ele, o hospital tem ampliado estrutura e atendimento, mas isso não tem sido acompanhado por reconhecimento aos profissionais.
“O hospital cresce em estrutura, cresce em demanda, cresce na avaliação, mas o empregado não pode ser invisível. A empresa tem que entender que não se constrói algo forte só com estrutura, mas com o corpo de trabalho.”
Ele também criticou a falta de avanço nas negociações.
“Várias tratativas foram feitas de forma pacífica desde o ano passado, porém a empresa não apresentou nada. E nada nós não vamos aceitar. Vamos manter o movimento de greve.”
Proposta é rejeitada e greve continua
O Diretor dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Piauí, Francisco Santana, afirmou que a última proposta apresentada pela empresa foi rejeitada em assembleia nacional.
“Foi apresentado um índice ontem irrisório de 3%. Nós não aceitamos. Colocamos isso em assembleia hoje pela manhã e foi rejeitado no Brasil todo. Nós não aceitaremos e a greve vai continuar.”
Segundo ele, as negociações se arrastam desde dezembro e envolvem não apenas salários, mas também direitos e condições de trabalho.
“Nós pedimos cláusulas sociais, cláusulas econômicas e melhores condições de trabalho. Chegou o momento que não dá mais.”
Foto: Sinsep – PI

Hospital mantém atendimentos essenciais
Mesmo com a paralisação, a categoria afirma que está cumprindo os percentuais mínimos exigidos por lei para não interromper serviços essenciais.
“São mais de dois mil empregados e cerca de 70% estão parados nesse momento. Hoje, no HU, só não está funcionando o ambulatório. As cirurgias estão mantidas, só as eletivas pararam. A oncologia funciona 100% e a UTI está em torno de 90%.”
“O impacto existe, porque sempre vai existir, mas não existe essa ideia de que o hospital não funciona. Está funcionando, dentro dos seus limites.”
Sobrecarga e falta de reposição agravam cenário
Além da questão salarial, os trabalhadores apontam problemas estruturais, como sobrecarga de trabalho e falta de reposição de profissionais.
“Hoje, se um empregado sai, entra em licença, a Ebserh não faz a reposição. A gestão local não tem autonomia. A gente acaba perdendo esse profissional por meses e precisa dessa reposição.”
Foto: Sinsep – PI

Movimento é nacional e segue sem prazo para acabar
A greve atinge hospitais universitários em diversos estados e ocorre após impasse nas negociações com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela gestão das unidades.
As tratativas estão sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), e a categoria afirma que a paralisação segue por tempo indeterminado.
“Nós estamos no Tribunal Superior do Trabalho. Vamos aguardar o posicionamento. Enquanto isso não acontece, a greve vai continuar, por indicação dos trabalhadores em todo o Brasil.”
HU Brasil aciona Justiça e TST determina efetivo mínimo
A HU Brasil informou que ingressou nesta quarta-feira (1º) no Tribunal Superior do Trabalho com pedido de dissídio coletivo de greve.
Segundo a estatal, a medida foi adotada após a rejeição da proposta apresentada na última rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho. “A medida foi tomada visando garantir o direito fundamental à saúde da população”, informou a empresa.
Ainda de acordo com a HU Brasil, o TST determinou a manutenção de, no mínimo, 80% do efetivo de trabalhadores nas áreas assistenciais e administrativas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
A empresa afirmou também que apresentou proposta com reposição integral da inflação pelo INPC, além de cláusulas sociais e benefícios, e destacou avanços implementados nos últimos anos, como reajustes salariais e ampliação de auxílios.
Confira a nota na íntegra
A HU Brasil informa que ingressou nesta quarta-feira (1º) junto ao Tribunal Superior do Trabalho com pedido de dissídio coletivo de greve. A medida foi tomada visando garantir o direito fundamental à saúde da população após rejeição da proposta apresentada em reunião final de mediação do Acordo Coletivo de Trabalho.
Ao valorizar o processo de mediação e as representações sindicais, a estatal não tinha buscado meios que viessem a interromper as negociações, mesmo diante da deflagração de movimento paredista.
A estatal acionou o Tribunal para que este determinasse percentuais de presença dos trabalhadores nos hospitais visando garantir o direito fundamental à saúde da população. A medida foi adotada após a rejeição, pela categoria, da proposta apresentada na reunião final de mediação do novo Acordo Coletivo de Trabalho.
Dessa forma, o TST determinou, na tarde desta quarta-feira, a manutenção de, no mínimo, 80% do efetivo de trabalhadores nas áreas assistenciais e administrativas, sob pena de multa diária de R$ 50.000,00 (cinquenta mil) reais. Nos próximos dias, o TST deverá dar seguimento à análise do dissídio e dos parâmetros econômicos para assinatura do ACT.
Principais pontos da última proposta apresentada pela HU Brasil:
- Reajuste de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período, aplicado à remuneração e a todos os benefícios, garantindo a recomposição integral da inflação;
- Abono das faltas decorrentes da greve;
- Cláusulas sociais: 14 cláusulas a serem incorporadas às já existentes, com avanços nas seguintes áreas:
- Proteção às mulheres vítimas de violência, com mobilidade funcional, ajuda de custo para mudança e auxílio de movimentação temporária por até 6 meses;
- Extensão das medidas de proteção à população LGBTQIAPN+;
- Maior flexibilidade nos agendamentos e na fruição de férias;
- Possibilidade de parcelamento do adiantamento salarial de férias em até 8 vezes;
- Ampliação da flexibilidade na marcação de abonos;
- Possibilidade excepcional de prorrogação de licença para acompanhamento de dependente internado;
- Fortalecimento da proteção à parentalidade, com ajustes na licença-paternidade em situações de internação do recém-nascido;
- Implantação de sistema eletrônico para envio de atestados médicos, facilitando o acesso dos trabalhadores.
A atual gestão da HU BRASIL, em conjunto com o Governo Federal, também destaca os avanços já implementados nos últimos anos, que representam significativa valorização dos trabalhadores da rede HU Brasil:
- Reajuste acumulado de 14,29% entre 2023 e 2025;
- Aumento do auxílio-alimentação de R$ 625,10 para R$ 1.000,00;
- Ampliação do auxílio-creche de R$ 203,92 para R$ 515,34;
- Implementação de benefícios voltados à proteção de direitos fundamentais, especialmente para mulheres e pessoas com deficiência;
- Flexibilização de jornadas de trabalho, com foco na melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
A HU Brasil ressalta que todo o processo negocial, em favor da valorização das trabalhadoras e trabalhadores, foi conduzido com transparência, boa-fé e permanente disposição ao diálogo, inclusive com a participação ativa do Tribunal Superior e Ministério Público do Trabalho em diversas rodadas de mediação.
cidadeverde




