Colômbia: Gustavo Petro reage a ameaças de Trump após operação na Venezuela

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, respondeu às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou o colombiano de envolvimento com o narcotráfico, além de sugerir uma possível intervenção militar no país.
Trump fez as acusações após a operação militar dos Estados Unidos realizada no sábado (3), em Caracas, que resultou na captura do ditadore venezuelano, Nicolás Maduro. No mesmo dia, forças norte-americanas bombardearam alvos militares na capital venezuelana durante uma ação para retirar Maduro do poder.
No domingo (4), durante uma entrevista a bordo do avião Air Force One, Trump afirmou que a Colômbia é governada por “um homem doente, que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. “Ele tem fábricas e instalações de produção de cocaína e não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, acrescentou.
Hoy veré si las palabras en inglés de Trump se traducen como dice la prensa nacional. Por tanto, más tarde las responderé hasta saber lo que significa realmente la amenaza ilegítima de Trump.
En cuanto al señor Rubio que desliga autoridades del presidente y dice que el…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 5, 2026
Gustavo Petro negou as acusações e destacou que seu nome não aparece em nenhum processo judicial relacionado ao narcotráfico. “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta do povo colombiano pela paz”, escreveu Petro em uma publicação na rede social X.
O presidente colombiano afirmou ainda que colaborou em investigações contra o tráfico quando era senador. “Não lê a história da Colômbia; por isso, erra quando nos critica”, declarou. “Não pensem que a América Latina é apenas um ninho de criminosos envenenando seu povo. Respeitem-nos e leiam nossa história, que remonta a 30 mil anos em toda a América.”
Em outra publicação, o líder colombiano criticou veementemente o ataque a Caracas, classificando-o como “a primeira vez na história em que uma capital sul-americana é bombardeada”, e comparou a ação a regimes autoritários do passado. “Os EUA são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade”, escreveu.
Petro também fez um alerta para possíveis consequências caso os Estados Unidos tentem prendê-lo. “Caso prendam o presidente, a quem grande parte do meu povo aprecia e respeita, despertarão a onça-pintada do povo”, disse, em alusão ao maior predador da América do Sul.
O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia classificou as ameaças como uma “interferência inaceitável”. Apesar da histórica parceria militar e econômica entre Estados Unidos e Colômbia, as relações vêm se desgastando desde o início do segundo mandato de Trump, com atritos, principalmente, em questões tarifárias e migratórias.
Na publicação, Petro defendeu maior integração latino-americana diante do que chamou de uma “ferida aberta” deixada pelo bombardeio a Caracas. Ele rejeitou represálias e, em vez disso, defendeu a união. “A América Latina precisa se unir, ou será tratada como serva e escrava, e não como o centro vital do mundo. Uma América Latina com capacidade de compreender, negociar e se unir com o mundo inteiro. Não olhamos apenas para o norte, mas para todas as direções”, afirmou, criticando o que chamou de “ineficácia” da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e sugerindo uma aliança regional, inclusive com apoio do Brasil.
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