Carne bovina brasileira será foco de negociações em viagem de Lula à Coreia do Sul

A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Coreia do Sul terá como foco central as negociações sobre um eventual acordo para a exportação de carne bovina brasileira ao país asiático. Na próxima semana, o chefe do Executivo dará início a uma agenda de compromissos pela Ásia, com visitas previstas à Índia e à Coreia do Sul.
Entre os dias 17 e 21 de fevereiro, a primeira parada será na Índia. Na sequência, o presidente seguirá para a Coreia do Sul, dando continuidade ao roteiro internacional. Ao longo da viagem, Lula se reunirá com autoridades das duas nações. Em território indiano, estão programados encontros com a presidente Droupadi Murmu e com o primeiro-ministro Narendra Modi. Já em solo sul-coreano, o líder brasileiro será recepcionado pelo presidente Lee Jae-myung.
Antes do embarque do mandatário, fontes diplomáticas ouvidas pelo portal Metrópoles confirmaram as informações. A passagem oficial por Seul, capital sul-coreana, integra o giro asiático previsto para ocorrer entre 18 e 24 de fevereiro. Conforme relataram diplomatas da Coreia do Sul, as negociações sobre a carne bovina se arrastam há cerca de 25 anos, sem avanços concretos até agora. Além de classificar o mercado como “restrito”, produtores locais demonstram forte oposição à possível formalização de um acordo com o Brasil.
“O Brasil está batendo à nossa porta para destravar esse acordo, mas há grande resistência por parte dos nossos produtores”, afirmou uma fonte envolvida nas tratativas, que não quis se identificar.
Embora o Brasil já esteja consolidado como o principal fornecedor de frango para a Coreia do Sul, o país asiático ainda resiste à abertura de seu mercado para a carne bovina brasileira. Atualmente, mais de 80% das importações sul-coreanas de frango têm origem no Brasil, que lidera esse segmento.
No ano passado, o intercâmbio comercial entre as duas nações alcançou aproximadamente US$ 10,8 bilhões. Desse total, cerca de US$ 5,5 bilhões corresponderam a exportações brasileiras, enquanto US$ 5,3 bilhões referem-se a produtos importados da Coreia do Sul. Segundo o Itamaraty, além das tratativas envolvendo o setor de carnes, a agenda de Lula e de sua comitiva em território sul-coreano deverá priorizar a expansão das relações bilaterais em áreas como desenvolvimento agrário, aviação, comércio, ciência e tecnologia, além de cooperação financeira.
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