Brasil se tornou centro relevante de refino de drogas, diz relatório

O relatório anual de 2025 do Instituto Fogo Cruzado aponta um avanço no nível de organização e complexidade do narcotráfico no Brasil. Divulgado nesta quinta-feira (26), o documento cita promessas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover mudanças estruturais na segurança pública, mas avalia que os resultados obtidos até agora foram limitados.
Segundo a análise, o país deixou de atuar apenas como mercado consumidor e rota de exportação de drogas, passando também a desempenhar papel relevante no refino de entorpecentes. Para o instituto, essa descentralização da produção é típica de mercados considerados mais consolidados, indicando um narcotráfico mais estruturado, eficiente e capaz de se adaptar às ações de repressão.
Estudos mencionados no relatório apontam a existência de cerca de 550 laboratórios de processamento de cocaína em território nacional e a atuação de 88 facções criminosas em expansão, especialmente no Rio de Janeiro. O documento também faz críticas às operações policiais, classificando parte delas como “chacinas” e destacando que as maiores ações ocorreram durante a gestão do governador Cláudio Castro (PL).
O texto ainda elogia a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução da ação conhecida como ADPF das Favelas. De acordo com o instituto, a ADPF 635 funcionou como um mecanismo jurídico relevante para monitorar e reduzir a letalidade policial, mas teria perdido força após julgamento realizado em abril. Na avaliação da entidade, esse enfraquecimento ocorreu junto à adoção de um novo plano de retomada territorial em áreas dominadas por organizações criminosas.
Apesar das críticas, os próprios dados do Fogo Cruzado indicam queda de 8,7% no número de tiroteios registrados. Em contrapartida, houve aumento de 23,4% no total de mortes e crescimento expressivo — de 133% — nas mortes ocorridas durante operações contra o narcotráfico. As disputas entre facções por controle de território também se intensificaram, com alta de 145%.
O relatório também chama atenção para a situação em Pernambuco. No estado governado por Raquel Lyra (PSDB), foram registrados aumentos de 47% nos casos de vítimas atingidas por balas perdidas e de 36% nos registros de feminicídios e tentativas de feminicídio.
gp1




