Brasil classifica captura de Nicolás Maduro como “sequestro” em reunião da OEA

Durante uma reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington nesta terça-feira (6), o governo brasileiro classificou como “sequestro” a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A declaração foi feita pelo embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil junto ao organismo hemisférico.
“O bombardeio no território da Venezuela e o sequestro de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável”, afirmou Belli, ao condenar a operação americana e destacar que os atos representam “uma afronta gravíssima à soberania” da Venezuela e um precedente perigoso para a comunidade internacional.
Até então, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e diplomatas brasileiros vinham se referindo à ação dos EUA como “captura”. A mudança de tom acontece em meio à crescente reação internacional à operação que prendeu Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3) e os levou para Nova York para responder a acusações, incluindo narcoterrorismo.
Autoridades de outros países latino-americanos, como o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também têm usado a palavra “sequestro” para criticar a intervenção, enquanto representantes do Brasil e de nações aliadas alertam que a ação americana viola princípios fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.
No discurso, o embaixador brasileiro afirmou que a operação evoca “um dos piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe” e ressaltou a necessidade de soluções políticas inclusivas, lideradas pelos próprios venezuelanos, sem interferência externa.
O governo brasileiro reconheceu no último sábado (3) Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, poucas horas após a detenção de Maduro, e o presidente Lula conversou por telefone com Rodríguez para tratar da situação na região.
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