Na Páscoa, brasileiro troca ovo pela barra e bacalhau pelo salmão

A Páscoa de 2026 deve consolidar uma mudança no padrão de consumo do brasileiro. Pressionado pelo preço, o consumidor tem buscado alternativas mais acessíveis. O movimento já aparece tanto na escolha dos pescados quanto na categoria de chocolates.
De um lado, o tradicional bacalhau perde espaço. Do outro, os ovos deixam de ser protagonistas. No lugar, entram opções mais versáteis e com melhor custo-benefício. O resultado é uma data menos concentrada em produtos tradicionais e mais diversificada, tanto no prato quanto na cesta de compras.
No caso dos pescados, o salmão desponta como principal substituto. O Carrefour projeta crescimento de 11% nas vendas de peixes frescos durante a Quaresma, impulsionado justamente pela maior demanda pelo produto. A lógica é simples: o salmão combina preço mais competitivo e facilidade de preparo. Pode ser assado, grelhado ou servido com molhos, o que amplia o consumo para além da Sexta-feira Santa.
“O consumidor tem buscado variedade e praticidade, sem abrir mão da tradição da data”, afirma Marco Alcolezi, diretor executivo de operações do Carrefour.
Ainda assim, o bacalhau não desaparece. A rede mantém um portfólio amplo, com opções que vão de lascas por menos de R$ 60 até peças premium próximas de R$ 200, tentativa de atender diferentes faixas de renda em um cenário mais pressionado. A expectativa do Carrefour é comercializar entre 2,5 mil e 3 mil toneladas de pescados no período,
No Grupo Pão de Açúcar, a tendência segue na mesma direção. “Vemos um crescimento consistente impulsionado pela busca por praticidade e alimentação mais saudável, com destaque para tilápia e salmão, que avançam como alternativas ao bacalhau”, afirma Robson Parreiras, diretor comercial de perecíveis do grupo.
A tilápia cresce em ritmo de duplo dígito, especialmente em cortes como filé, enquanto o salmão registra alta superior a 20%, apoiado também pelo avanço do consumo de pratos como sushi. Ao mesmo tempo, há uma migração do bacalhau tradicional seco para versões dessalgadas e prontas para consumo.
Peixes mais acessíveis, como sardinha, cavalinha e corvina, também ganham tração, assim como o camarão, que apresenta bom desempenho no período. A leitura é de um consumidor mais pragmático, que ajusta a escolha dentro da própria categoria para equilibrar preço e qualidade.
Chocolate muda de formato
Se no almoço o cardápio muda, na sobremesa a transformação é ainda mais visível. Bombons e barras de chocolate já representam cerca de 50% das vendas da categoria no Carrefour, sinalizando uma migração relevante em relação aos tradicionais ovos de Páscoa.
Os produtos ganham espaço por serem mais baratos e mais versáteis, atendendo tanto o consumo doméstico quanto pequenos empreendedores que produzem chocolates artesanais para venda. “O consumidor está mais atento ao preço e busca alternativas acessíveis sem abrir mão da experiência da data”, afirma Alcolezi.
No GPA, a leitura é semelhante, mas com uma nuance: a sofisticação do portfólio. A companhia projeta crescimento de 10% nas vendas de chocolates, impulsionado pela maior presença de produtos recheados, tanto em ovos quanto em tabletes.
Há uma ampliação relevante de sortimento, com opções que vão de linhas premium a versões mais acessíveis. A Páscoa também ocorre mais cedo em 2026, o que, segundo a companhia, favorece a disposição do consumidor para comprar e presentear.
Além disso, a varejista observa uma tendência de compras concentradas nos dias que antecedem o feriado, com reforço na execução e abastecimento para capturar essa demanda.
Empreendedor entra no jogo
O avanço de formatos alternativos também é impulsionado por um público que cresce a cada ano: os pequenos empreendedores.
No Atacadão, cerca de 60% do faturamento vem do público B2B, e a Páscoa é uma das principais datas para esse segmento. A rede amplia a oferta de insumos como barras de chocolate, recheios e formas para produção artesanal.
“A data é uma oportunidade para pequenos negócios ampliarem a produção e a renda”, afirma Marco Oliveira, CEO do Atacadão.
Já no Sam’s Club, o foco está na diferenciação. A rede aposta em chocolates importados e produtos exclusivos, com preços entre 30% e 35% menores do que equivalentes no varejo tradicional.
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