“Não vamos permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo”, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo vai fazer “tudo que estiver ao alcance do país” para evitar que impacto “da guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo”.
“Agora, a guerra continuou. Trump disse que ia acabar num dia e nem sei se vai acabar em quanto tempo. Dado concreto é que estamos fazendo todo esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar seu feijão, seu alface, seu milho. Não vamos permitir que os preços internacionais cheguem ao bolso do caminhoneiro, da dona de casa”, comentou, em entrevista à TV Record da Bahia, onde participa de entregas do Novo PAC na área de mobilidade urbana em Salvador.
Criada para conter efeitos da alta no petróleo no valor do diesel, a mais recente medida é um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado nos meses de abril e maio. A subvenção será dividida igualmente entre a União e os estados. Cerca de 30% desse combustível consumido no Brasil é importado. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 80% das unidades federativas aderiram à proposta.
Lula: “Trump que pague, Netanyahu que pague” o preço da guerra
Lula também mencionou, como tem feito em entrevistas e falas públicas, ações de fiscalização contra prática de preços abusivos por distribuidoras e postos de combustíveis. “Estamos tentando colocar a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal para pegar quem for necessário. Tem muita gente ganhando dinheiro roubando o povo. Não tinha direito de aumentar e está aumentando”, reforçou.
O mandatário repetiu que o governo vai fazer “de tudo que que tiver ao alcance do país para não permitir que a guerra do Irã chegue ao prato de comida do povo brasileiro e, muito menos, chegue ao tanque de combustível do caminhoneiro, que já tem dificuldade em seu frete”.
Em outro comentário sobre a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, o presidente declarou não ver “lógica” em aumentos verificados em combustíveis como álcool e gasolina e disse que o governo vai conter possíveis aumentos no preço do gás.
“O povo pobre não vai pagar, em hipótese alguma, o preço dessa guerra. Trump que pague, Netanyahu que pague”, disse, citando o presidente dos EUA e o primeiro-ministro de Israel.
“Preciso que o Congresso aprove a PEC” da Segurança
Lula também falou na entrevista sobre a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, já aprovada na Câmara dos Deputados e à espera de tramitação no Senado Federal. O mandatário disse que o Ministério da Segurança Pública será criado assim que o Congresso Nacional aprovar a proposta.
“Essa PEC vai permitir que a gente tome decisão muito importante, que é criar o Ministério da Segurança e definir nova ação do governo federal na questão. Tal como está a Constituição, hoje o papel do governo federal é apenas repassar um pouco de dinheiro, que é muito pouco pra necessidade dos estados. Quando a PEC for aprovada, vamos estabelecer qual o papel da União na segurança pública, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal. E, sobretudo, definir criação de uma guarda nacional muito eficaz para fazer intervenção que for necessária”, explicou o presidente.
O petista citou a sanção do projeto de lei (PL) Antifacção e operações da PF, como a Carbono Oculto, contra sonegação bilionária no setor de combustíveis, com suspeita de infiltração de facções. “Nós já apreendemos 250 milhões de litros de combustível que estavam na mão do crime organizado. Nós estamos fazendo operação, já prendemos algumas pessoas. Queremos chegar ao andar de cima, nos magnatas da corrupção, que não moram na favela, que moram nos prédios mais chiques”, comentou.
Como já fez em outras ocasiões, voltou a falar de conversa com o presidente dos EUA em que chefes de Estado sinalizaram cooperação em ações contra o crime organizado. “Eu disse pro Trump: ‘Você poderia começar me entregando os brasileiros que estão aí’. Dei endereço da casa e nome das pessoas que estão foragidas nos EUA. Estou aguardando sobretudo o dono da Refit [Ricardo Magro, que vive em Miami], principal deles”, continuou Lula, em referência à refinaria alvo de megaoperações policiais e considerada uma das maiores devedoras e sonegadoras de impostos do país.
“Preciso que o Congresso aprove a PEC. Hora que aprovar, nós vamos aprontar com muita rapidez um grande Ministério da Segurança Pública, pra que a gente possa fazer intervenção no crime organizado sem precisar pedir licença pra ninguém”, completou o mandatário.
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