Servidora da Receita nega vazamento de dados de ministros do STF

A defesa da servidora pública Ruth Machado dos Santos, auditora da Receita alvo de operação da Polícia Federal (PF) por suspeita de vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares deles, se manifestou sobre acusações e negou irregularidades.
Citando “notícias veiculadas” de “supostos vazamentos envolvendo dados fiscais de familiares do doutor Alexandre de Moraes”, o advogado que representa a servidora, Diego Soares de Oliveira Scarpa, afirmou que a auditora tem “quase 32 anos de serviço público” e “trajetória funcional é marcada pela correção, discrição e absoluto respeito às normas que regem a Administração Pública”.
O defensor também reforçou que carreira da auditora é pautada pela “estrita observância aos deveres legais, especialmente aqueles relacionados ao sigilo funcional, à proteção de dados e à responsabilidade inerente ao cargo”.
A defesa salientou que Santos “jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada e reconhecida por colegas e superiores hierárquicos”. A auditora, segundo o advogado, também “não possui qualquer vínculo político-partidário, histórico de militância ou engajamento ideológico que pudesse, ainda que em tese, sugerir motivação de natureza política”.
“Trata-se de atuação técnica, apartidária, e de uma vida funcional distante de disputas ou alinhamentos dessa natureza”, acrescentou Scarpa. A defesa afirmou que a servidora “está confiante que a apuração dos fatos ocorrerá com serenidade, responsabilidade e respeito às garantias constitucionais do devido processo legal”.
“Tem-se convicção de que, ao final, restará demonstrado que a servidora não concorreu para a infração penal.”
O SBT News apurou que Santos afirmou à PF que atendia outra pessoa, na agência da Receita em que trabalha no Guarujá (SP), no momento em que, segundo investigações, ela teria acessado dados de Viviane Barci, esposa de Moraes e advogada.
Operação da PF
Quatro servidores públicos — Luciano Pery Santos, Luiz Antônio Martins Nunes, Ricardo Mansano de Moraes e Ruth Machado dos Santos — foram alvos na terça (17) de operação da PF que apura suspeita de vazamento de informações sigilosas de ministros do STF, integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e familiares de magistrados, como a esposa de Moraes.
Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão e também aplicaram medidas cautelares, como afastamento de funções públicas, monitoramento por tornozeleira eletrônica, cancelamento de passaportes e proibição de deixar o Brasil.
A força-tarefa ocorreu no âmbito do chamado Inquérito das Fake News. Moraes ainda determinou a quebra de sigilo bancário dos servidores a partir de uma representação da PGR.
Na segunda, um dia antes da operação, o colunista Ranier Bragon, do SBT News, mostrou que Moraes já havia ordenado que a Receita fizesse uma varredura em busca de acessos imotivados a dados seus, de demais magistrados do STF, de familiares até o terceiro grau. A lista inclui quase 150 pessoas.
Leia nota da defesa da auditora da Receita:
“Diante das notícias recentemente veiculadas acerca de supostos vazamentos envolvendo dados fiscais de familiares do doutor Alexandre de Moraes, Ministro do Supremo Tribunal Federal, a defesa de Ruth Machado dos Santos manifesta-se publicamente para esclarecer os fatos:
Trata-se de profissional com quase 32 anos de serviço público, cuja trajetória funcional é marcada pela correção, discrição e absoluto respeito às normas que regem a Administração Pública, com estrita observância aos deveres legais, especialmente aqueles relacionados ao sigilo funcional, à proteção de dados e à responsabilidade inerente ao cargo. Ao longo de mais de três décadas de exercício, jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada e reconhecida por colegas e superiores hierárquicos. Cumpre-nos ressaltar que a profissional não possui qualquer vínculo político-partidário, histórico de militância ou engajamento ideológico que pudesse, ainda que em tese, sugerir motivação de natureza política. Trata-se de atuação técnica, apartidária, e de uma vida funcional distante de disputas ou alinhamentos dessa natureza.
Por fim, a defesa está confiante que a apuração dos fatos ocorrerá com serenidade, responsabilidade e respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, assegurando-se a ampla defesa e o contraditório. Tem-se convicção de que, ao final, restará demonstrado que a servidora não concorreu para a infração penal.
Guarujá/SP, 18 de fevereiro de 2026.
Diego Soares de Oliveira Scarpa”
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