Dia do Professor: essenciais, educadores mostram como a IA transforma o ensino

O uso de computadores, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial está mudando a rotina das salas de aula. Mas, em meio às novas tecnologias, o papel do professor continua essencial para transformar informação em conhecimento. Neste 15 de outubro, Dia do Professor, educadores e estudantes do Centro de Educação em Tempo Integral Pinheiro Machado, em Teresina, destacam como os recursos digitais podem contribuir para a aprendizagem sem substituir a orientação docente e o lado humano da educação.
Aos 21 anos, Jadson Gregório ensina inteligência artificial e acompanha de perto a maneira como os estudantes utilizam essas ferramentas. Para ele, a proximidade de idade ajuda a compreender a mentalidade dos alunos e a forma como eles se relacionam com a tecnologia.
“Há poucos anos atrás, eu estava no lugar deles. Então, a forma de se comunicar, o jeito que eles usam a IA, certo? Para que que eles usam a IA?”, questiona.
O professor alerta que a ferramenta nem sempre é usada para aprender. “A gente vê muitos alunos que usam a IA certamente só para responder ali as questões e não tira nada de aprendizado com isso”, afirma.
Apesar disso, ele acredita que a inteligência artificial pode contribuir para a formação dos estudantes quando utilizada de maneira consciente.
Tecnologia amplia as possibilidades de ensino
Foto: Reprodução / TV Cidade Verde

A transformação também é percebida por quem tem mais tempo de experiência em sala de aula. Professor de geografia há 16 anos, Francisco Sousa observa que até os materiais didáticos passaram por mudanças, com a oferta de versões digitais dos livros e o uso de recursos tecnológicos para complementar as aulas.
“Hoje em dia, o próprio livro didático não é apenas aquela versão impressa, apenas impressa, como era no passado, já tem a versão digital, né, que isso facilita”, explica.
Para ele, as ferramentas digitais também podem colaborar com o trabalho dos educadores. “Nós recorremos aí à tecnologia da informação, ou seja, aquilo que a inteligência artificial oferece, aquilo que os recursos avançados de informática oportunizam aí para a melhora do trabalho do professor”, afirma.
Com tantas informações disponíveis, porém, o desafio da escola não é apenas apresentar conteúdos. É ajudar os estudantes a avaliar o que encontram, fazer perguntas e relacionar o conhecimento à própria realidade.
Viviane Faria, superintendente de ensino da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), destaca que o professor assume uma função de mediação nesse cenário. “O conhecimento o estudante tem na palma da mão hoje. Então, é trazer este conhecimento para a vida desse estudante, para a realidade, para o seu contexto territorial, para a reflexão”, afirma.
Alunos destacam aulas mais dinâmicas e diálogo
Entre os estudantes, o uso da tecnologia é associado a aulas mais participativas e à possibilidade de aproximar os conteúdos do cotidiano. Igor Claudino destaca que a interação com os professores continua sendo importante nesse processo.
“Dessa forma fica uma aula mais dinâmica, uma aula mais participativa, tanto dos alunos como do professor participando junto com a gente”, diz. Ele também ressalta a importância do diálogo: “A gente tendo um diálogo assim mais ali com ele, mais humano, né?”
Ana Elize observa que a relação entre os conteúdos ensinados e as situações do dia a dia contribui para ampliar o aprendizado.
“Eles trazem muito a questão do dia a dia. Então, além do ensino, a gente vai aprender também muito mais sobre o cotidiano, que é em cada parte da nossa vida”, afirma.
Inteligência artificial não substitui o lado humano da educação
Mesmo com as mudanças tecnológicas, a convivência e a socialização seguem como partes fundamentais da experiência escolar. Para o aluno Eugênio Marcelo, o professor contribui para a formação não apenas pelo conteúdo transmitido, mas também pela maneira como apresenta e interpreta os assuntos.
“Quando um professor ensina algo, ele carrega um pouco da visão dele e transmite para você. E quando você absorve o assunto, você começa a interpretar também”, explica.
O estudante considera que a inteligência artificial não consegue substituir a experiência de estar na escola. “No ambiente escolar, além da questão do aprender, a questão da socialização, a questão da interação aluno com aluno”, afirma.
Para ele, esse convívio representa uma dimensão da educação que vai além do acesso à informação. “Há esse lado humano que a tecnologia da informação, que a IA não vem a substituir”, conclui.




