Paciente agredido no Hospital Areolino de Abreu morre no HUT; família denuncia

O paciente José de Ribamar morreu nesta quarta-feira (14), após passar 21 dias internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Ele foi transferido para a unidade em 23 de setembro, depois de ser encontrado com lesões enquanto estava internado no Hospital Areolino de Abreu, na capital. A família afirma que ele foi agredido dentro do hospital psiquiátrico, e o caso está sendo apurado.
Em nota, o Hospital Areolino de Abreu informou que “está acompanhando o caso e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com a apuração dos fatos.”
José de Ribamar estava internado no Areolino desde 14 de setembro. Segundo o relato registrado pela irmã dele, no dia 23 de setembro ela recebeu uma ligação da assistente social do hospital informando que o irmão havia passado mal e precisava ser levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no bairro Satélite.
Ao chegar ao hospital, ela encontrou o irmão ferido e sem conseguir caminhar. Conforme o registro, ao perguntar à equipe o que havia acontecido, foi informada de que teria ocorrido uma briga no pavilhão Carlos Araújo, onde ele estava internado.
O paciente foi levado à UPA e, posteriormente, transferido para o HUT, onde permaneceu internado até a morte.
Advogado aponta falha na separação dos pacientes
Ítalo Cavalcanti, advogado da família, afirmou que José de Ribamar foi agredido por outro paciente durante um período de lazer dentro do hospital. Segundo ele, pessoas de grupos diferentes teriam permanecido juntas no mesmo espaço, embora, conforme seu relato, não pudessem ser misturadas.
“Eles estavam no pavilhão e o pessoal da monitoria misturou as pessoas. Houve uma concomitância de grupos no momento de lazer. O hospital tem vários grupos que não podem se misturar”, declarou.
O advogado afirmou ainda que a agressão teria ocorrido durante o banho de sol. Segundo ele, a equipe não teria organizado a utilização do espaço de forma sucessiva pelos diferentes grupos de pacientes.
“Ele é muito tranquilo, não teve problema com nada, o problema dele não era violência, tanto que ele foi agredido. Uma outra pessoa de outro grupo partiu para cima dele e o agrediu. Quando foram ver, ele já estava ensanguentado”, relatou.
As circunstâncias da agressão e a eventual responsabilidade pela ocorrência ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Perícia deve esclarecer gravidade das lesões
De acordo com Ítalo, uma perícia estava em fase de conclusão para identificar a natureza das lesões sofridas pelo paciente e os órgãos atingidos.
“Existe uma investigação sobre a natureza e gravidade das lesões que ele sofreu”, afirmou o advogado. Segundo ele, a apuração também busca esclarecer se as lesões foram provocadas por instrumentos contundentes ou cortantes.
A família autorizou a doação de órgãos, segundo o advogado. Na noite desta quarta-feira, ele informou que a previsão era de liberação do corpo pelo HUT ao meio-dia de quinta-feira (15), após os procedimentos necessários.
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