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MP das Bets: especialista explica como apostadores recuperarão saldos

Após a MP das Bets, que proíbe as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil, as instituições financeiras iniciraram a devolução dos saldos dos apostadores cadastrados nas plataformas regulamentadas. Em entrevista ao Jornal do Piauí nesta quarta-feira (7), o advogado e consultor financeiro, Antônio Cláudio, explicou como funciona esse procedimento.

“As instituições financeiras pelas quais eles faziam os depósitos para fazer o jogo vão receber esse dinheiro de volta e vão colocar na conta das pessoas. Aquelas pessoas que não receberem ou não tiverem a conta nesse período, às vezes o valor é muito pequenininho, isso vai estar disponível na Caixa Econômica a partir do dia 14. Porque mesmo o valor global sendo muito grande, a grande parte dos recursos está entre R$ 10 e R$ 25 reais, então os valores maiores com certeza as pessoas vão receber”, disse. 

O especialista ressaltou que as regras de restituição aplicam-se exclusivamente às plataformas oficiais, permanecendo inalteradas em relação aos sites clandestinos, mas aletou para a proliferação de sites  ilegais após o bloqueio das operadoras regulares.

“Nas bets regulares, existia um site na Receita Federal em que você coloca o seu CPF e há um aviso no CPF que impede o jogo em outras bets. Só que as bets irregulares não têm isso, e as pessoas que têm a compulsividade de jogar nas bets provavelmente vão ligar para essas outras plataformas. O que tem que fazer é ter um trabalho muito grande do governo em bloquear as plataformas que não são regularizadas, para evitar que as pessoas migrem das bets regulares para aquelas irregulares”, salientou. 

Ainda durante a entrevista, Antônio Cláudio mencionou o impacto financeiro das apostas nas famílias brasileiras. “Em termos globais, nas famílias brasileiras isso está em 62 bilhões de reais, o que significa 1% de toda a renda das famílias que circulam na economia. Então você começa a perceber o impacto que tem, tirando esse dinheiro do dia a dia, tirando esse dinheiro das famílias”, destacou.

Diante do endividamento gerado pelo uso de cartões de crédito, empréstimos e crédito consignado para apostas, o especialista destacou que o tratamento da dependência comportamental, conhecida como ludopatia, deve preceder a renegociação financeira.

“A primeira coisa é procurar um psicólogo. Se ele não regularizar o seu comportamento frente aos jogos, ele vai continuar se endividando. Sendo bem objetivo, procure um psicólogo. Procurou o psicólogo, conseguiu equilibrar? Agora vamos buscar a regularização dos valores para que ele não fique negativado no Serasa, sem poder pegar empréstimo em outros bancos”, concluiu.

cidadeverde

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