Canetas emagrecedoras podem afetar pele, cabelo e músculos?

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras trouxe uma nova preocupação aos consultórios: além da perda de peso, pacientes podem perceber flacidez, redução do volume facial, queda de cabelo e perda de massa muscular. Essas alterações, porém, nem sempre são provocadas diretamente pelo medicamento e podem estar relacionadas à velocidade do emagrecimento e às mudanças nutricionais que acompanham o processo.
Segundo Daniele Pimentel, médica dermatologista, a perda significativa de gordura também reduz o tecido subcutâneo responsável por parte da sustentação da pele, especialmente no rosto.
“Quando o emagrecimento acontece de forma muito rápida, a pele pode não acompanhar essa mudança na mesma velocidade. Com a redução do volume, áreas como bochechas, têmporas e região dos olhos podem ficar mais marcadas, e a flacidez se tornar mais perceptível”, explica.
A mudança facial ficou conhecida nas redes sociais como “rosto de Ozempic”, mas a dermatologista ressalta que o fenômeno não é exclusivo de uma marca ou medicamento. “Uma perda expressiva de peso, independentemente da estratégia utilizada, pode provocar redução importante da gordura facial”, afirma.
A queda de cabelo também pode surgir após um emagrecimento intenso. Um dos motivos é o eflúvio telógeno, condição em que um estresse importante para o organismo faz com que mais fios entrem na fase de queda. A redução excessiva de calorias e a baixa ingestão de proteínas, ferro e outros nutrientes também podem contribuir.
Para Rita Valente, coordenadora dos cursos de Biomedicina, Estética e Farmácia, é preciso olhar além da balança. “Quando a pessoa perde peso muito rapidamente e passa a comer menos do que necessita, pode comprometer a ingestão de nutrientes importantes para músculos, pele e cabelos. O objetivo deve ser perder gordura preservando, tanto quanto possível, a massa muscular e a saúde do organismo”, explica.
Alguns cuidados podem ajudar a reduzir esses impactos. Além de seguir a prescrição médica e não aumentar doses por conta própria, é importante manter ingestão adequada de proteínas, praticar exercícios de força e não negligenciar a hidratação, já que a própria redução do apetite ou sintomas gastrointestinais podem fazer algumas pessoas beberem menos água.
Na pele, proteção solar diária e uso regular de hidratantes ajudam a preservar a barreira cutânea e evitam fatores adicionais de degradação de colágeno. Já em relação ao cabelo, Daniele alerta para o uso indiscriminado de vitaminas e suplementos. “Se a queda for intensa ou persistente, o ideal é investigar a causa. Alterações da tireoide, anemia e deficiências de vitaminas ou outros nutrientes também podem estar envolvidas, além de doenças do couro cabeludo que precisam ser investigadas. Suplementar sem saber se existe deficiência não resolve necessariamente o problema e inclusive excesso de vitaminas podem causar complicações graves”, orienta.
Procedimentos estéticos podem contribuir em casos específicos de flacidez, mas Rita ressalta que eles não substituem uma estratégia adequada de emagrecimento. “Nenhuma tecnologia compensa uma perda excessiva de massa muscular ou uma deficiência nutricional. O cuidado estético deve fazer parte de uma abordagem integrada.”
Para as especialistas, o principal alerta é evitar a busca pelo emagrecimento mais rápido possível. Queda acentuada de cabelo, perda de força ou mudanças importantes na pele são sinais que merecem avaliação profissional e podem indicar a necessidade de ajustes no tratamento.
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