Governo de Donald Trump diz que Brasil falhou no combate ao PCC e ao CV

O governo dos Estados Unidos acusou o Brasil de não adotar medidas suficientes para combater o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A avaliação consta de um relatório enviado ao Congresso americano na terça-feira (15) e divulgado pelo Departamento de Estado nesta quarta-feira (16).
No documento, o governo de Donald Trump pede que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote, “com urgência, medidas enérgicas” contra as duas organizações criminosas. PCC e CV foram designados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras em junho de 2026, após decisão anunciada pelo Departamento de Estado em maio.
Relatório cita tráfico internacional de cocaína
Segundo o documento, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental estariam adotando medidas para combater organizações criminosas, o Brasil não estaria enfrentando o PCC e o CV de forma suficiente. O relatório afirma que as duas facções brasileiras teriam contribuído para transformar o país em um centro do fluxo internacional de cocaína.
“As organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo”, diz o documento, que também cobra medidas do governo brasileiro para impedir a expansão dos grupos. Os Estados Unidos classificam ainda PCC e CV como uma ameaça à segurança mundial.
Outros países também são citados
O relatório anual apresenta uma relação de países considerados pelos Estados Unidos como locais de produção ou trânsito de drogas.
A lista inclui:
- Afeganistão
- Bahamas
- Belize
- Bolívia
- China
- Colômbia
- Costa Rica
- República Dominicana
- Equador
- El Salvador
- Guatemala
- Haiti
- Honduras
- Índia
- Jamaica
- Laos
- México
- Mianmar
- Nicarágua
- Paquistão
- Panamá
- Peru
- Venezuela
O Brasil não aparece nessa relação. O documento afirma ainda que Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia falharam, no último ano, em cumprir obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico. O governo americano também fez cobranças a México e Canadá para ampliar ações contra o tráfico de drogas para os Estados Unidos.
No caso do Canadá, Washington pede medidas para combater laboratórios clandestinos utilizados na produção de drogas. Em relação ao México, o relatório cobra ações contra organizações classificadas pelos Estados Unidos como narcoterroristas e que, segundo o documento, controlam territórios no país.
China é criticada por fluxo de substâncias
A China também é citada no relatório. Segundo o documento, apesar de Trump ter tratado com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre o combate à entrada de fentanil ilegal nos Estados Unidos, Pequim ainda precisaria reduzir o fluxo de substâncias utilizadas na fabricação da droga.
Relatório cita mudanças políticas na América do Sul
O governo Trump também relacionou mudanças políticas recentes em países sul-americanos a novas possibilidades de cooperação com os Estados Unidos. Segundo o documento, essas mudanças teriam criado “oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos”.
Venezuela, Bolívia e Colômbia são citadas no relatório como exemplos de países nos quais, segundo a avaliação americana, houve avanços. O documento ressalva, porém, que novas medidas ainda seriam necessárias.
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