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MP-PI mantém suspensão de promotor acusado de cobrar propina de R$ 3 milhões

O Colégio de Procuradores de Justiça do Piauí manteve a suspensão do promotor de Justiça Maurício Verdejoacusado de cobrar propina de R$ 3 milhões para arquivar um processo de um empresário. A decisão foi proferida durante a sessão do colegiado do MP-PI, realizada no final do mês de agosto de 2026.

Na ocasião, o colegiado julgou um recurso administrativo apresentado pelo promotor contra uma outra decisão do Conselho Superior do MPPI, alegando vício na composição da comissão processante, cerceamento de defesa devido ao bloqueio de sistemas institucionais e o indeferimento de incidente de insanidade mental.

Ao analisar, o procurador Albertino Ferreira, relator do processo, votou pelo desprovimento do recurso e foi acompanhado por unanimidade pelos demais procuradores aptos a votar, confirmando a punição disciplinar por violação de deveres funcionais do MP-PI.

Entenda o caso

Maurício Verdejo e seu ex-assessor, André Bispo, foram investigados por corrupção, prevaricação, supressão de documento e tráfico de influência. Os dois se tornaram réus após o Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) decidir, por unanimidade, receber as denúncias do Ministério Público (MP).

Foto: Reprodução

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O promotor foi denunciado pelo empresário Junno Pinheiro, que procurou a Polícia Federal afirmando ter sido abordado por Verdejo em um restaurante. De acordo com a denúncia, o promotor teria cobrado R$ 2 milhões para arquivar um processo, dando um curto prazo para o pagamento.

A polícia acompanhou então a negociação e um vídeo flagrou o momento em que Verdejo pega uma sacola com R$ 900 mil, entregue pelo empresário que estava sendo extorquido por ele.

As investigações indicam que, no dia 2 de agosto de 2024, o empresário esteve na residência do promotor para entregar parte do dinheiro. No dia 7 do mesmo mês, ele retornou ao local para entregar R$ 500 mil. A Polícia Federal flagrou o encontro no condomínio do promotor. Na sequência, a autoridade policial cumpriu mandado de busca e apreensão, encontrando R$ 896 mil na residência do promotor.

Foto: Reprodução

Segundo as investigações, o ex-assessor André Ricardo teria atuado em conjunto com o promotor, inclusive orientando a vítima na elaboração de minutas de petições a serem protocoladas com o objetivo de viabilizar o arquivamento do Procedimento Investigatório Criminal. O promotor também é acusado de ter bloqueado remotamente seu celular apreendido, impedindo a extração de dados pela perícia, o que fundamenta a acusação de supressão de documento.

Diante da gravidade dos fatos, o MPPI requereu a prisão preventiva de Maurício Verdejo e a perda de seu cargo público. Na denúncia, a instituição ressaltou que os crimes praticados comprometem a dignidade da função ministerial e afrontam os princípios da legalidade e da moralidade administrativa. O Ministério Público do Piauí segue acompanhando o andamento do processo.

cidadeverde

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