Após adiamento, PMs acusados de balear adolescente têm audiência nesta quarta

A audiência de instrução e julgamento dos policiais militares do Maranhão Javan Arraes, James Leão e Patrick Santos, acusados de envolvimento em um ataque a tiros contra a família da adolescente Geovanna Gabriely, acontece nesta quarta-feira (9), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Teresina. O caso ocorreu em agosto de 2023, quando a adolescente tinha 12 anos.
A audiência havia sido iniciada no dia 26 de agosto, mas foi adiada após um pedido da defesa dos policiais. Segundo Sérgio Conrado, pai de Geovanna e também vítima dos disparos, a defesa argumentou que a adolescente deveria ser ouvida por profissionais especializados, em razão da idade. As partes concordaram com o adiamento.
Ao Cidadeverde.com, Sérgio Conrado afirmou que a família espera que a audiência contribua para esclarecer o que aconteceu e responsabilizar os envolvidos.
“A expectativa da família é de que a Justiça possa avançar na busca pela verdade e pela responsabilização de quem tiver cometido os crimes. Foram três anos de muita dor, angústia e espera, mas também de muita fé e esperança”, destacou.
O pai de Geovanna reforçou que a família espera que as circunstâncias do ataque sejam analisadas durante o processo.
“O que a família quer, acima de tudo, é justiça. Queremos que os fatos sejam devidamente esclarecidos, que todas as circunstâncias sejam analisadas com seriedade e que as vítimas sejam ouvidas e respeitadas”, disse.
Para Sérgio, a audiência também representa um momento importante para a filha, que sobreviveu aos disparos e ainda convive com as consequências do ataque.
“Para nós, essa audiência tem um significado ainda maior por acontecer exatamente três anos depois dos fatos. É um momento importante para a família, especialmente para a Geovanna, que sobreviveu e carrega consigo as marcas de tudo o que aconteceu”, desabafou.
Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com

Ataque aconteceu em agosto de 2023
O caso ocorreu por volta de 1h20 do dia 26 de agosto de 2023. Conforme a denúncia, Sérgio Conrado, a esposa, Raimunda Conrado, e a filha do casal, Geovanna Gabriely, retornavam para casa após um trabalho realizado em um estabelecimento em Timon (MA).
Na época, os policiais militares do Maranhão estavam armados com fuzis e à paisana, em busca de suspeitos de assassinar o sargento Francisco Machado de Carvalho Júnior, no dia anterior, na Avenida Barão de Gurguéia, no bairro Vermelha, zona Sul de Teresina.
A família estava em um carro quando, nas proximidades de um supermercado, na zona Sudeste da capital, teria sido abordada pelos policiais, que estavam em um veículo descaracterizado.
Ainda segundo a denúncia, os acusados desceram do veículo usando roupas pretas e balaclavas. Com medo de que se tratasse de um assalto, Sérgio teria iniciado uma fuga. Nesse momento, os policiais teriam efetuado oito disparos de fuzil contra o carro.
Geovanna foi atingida por dois disparos e sofreu ferimentos graves. Ela precisou passar por cirurgia e ficou dez dias internada. Durante o procedimento, parte do intestino da adolescente precisou ser retirada.
O pai da jovem também foi atingido por dois disparos de raspão na cabeça e na orelha. Segundo a família, além das sequelas físicas, Geovanna, atualmente com 15 anos, enfrenta consequências emocionais relacionadas ao episódio.
Em decisão de fevereiro de 2025, o juiz destacou que, conforme os elementos apresentados no processo, os acusados teriam assumido o risco de produzir a morte das vítimas. Por isso, determinou o encaminhamento do processo para julgamento na Justiça competente para os crimes contra a vida.
A investigação aponta que os policiais estavam apurando a morte do também policial militar do Maranhão Francisco Machado de Carvalho Júnior.
Foto: Benonias Cardoso / Cidadeverde.com

Defesa pede impronúncia dos policiais
Os três policiais foram denunciados por tentativa de homicídio qualificado e fraude processual. A defesa busca a impronúncia dos acusados pelo Tribunal do Júri e a desclassificação do crime para lesão corporal culposa.
Segundo o advogado Otoniel Neto, a defesa também pretende esclarecer pontos que permanecem em aberto durante a tramitação do processo.
A audiência desta quarta-feira é destinada à instrução do processo, etapa em que serão ouvidas testemunhas e demais envolvidos, conforme as determinações da Justiça. Depois a juíza terá um prazo para decidir se irá pronunciar ou não os PM para que sejam julgados pelo caso no Tribunal do Júri.
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