Trader fingiu operar na Bolsa de Valores e fez vídeos falsos, aponta delegado

A Polícia Civil do Piauí indiciou o trader Francisco das Chagas Chaves, conhecido como Chico e outros quatro integrantes do grupo criminoso suspeitos de aplicar golpes financeiros. Ao Cidadeverde.com o delegado Luciano Alcântara afirmou que o Chico e outros três membros do grupo foram indiciados por crimes por conta da economia popular, estelionato especial, voltado especificamente para crimes no mercado de capitais, associação criminosa, lavagem de capitais e crimes contra o sistema financeiro.
A companheira de Chico, que ainda está foragida e com nome na Interpol, foi indiciada por estelionato especial e lavagem de capitais. As investigações apontaram que o grupo nunca operou na bolsa de valores e que os vídeos produzidos eram falsos. Com isso, foi concluído ainda que o grupo abordou as vítimas com a intenção de aplicar golpes.
“A investigação chegou à conclusão por exemplo de que esse grupo, que em tese eram operadores, eles na verdade nunca, de acordo com a Bolsa de Valores, nunca realizaram operações. Recebemos a informação da Bolsa de Valores que eles nunca operaram então desde o começo era um golpe, porque eles pegavam esse dinheiro dizendo que iriam operar na bolsa. Então todos os vídeos que me tese as vítimas receberam eram falsos, então as vítimas entregavam o dinheiro para alguém que teria operado e ele não operou. Os integrantes disseram que perderam dinheiro fazendo operações, o que também cai por tese. Tiveram pessoas que perderam dinheiro da casa da filha, e ele era ciente, ele recebia, sorria, apertava a mão e era um golpe”, aponta o delegado.
Grupo criminoso fingia operar na corretora
Foto: Arquivo/Cidadeverde.com

Para operar na bolsa de valores, você precisa abrir conta em uma corretora de investimentos credenciada, transferir dinheiro e enviar ordens de compra ou venda pelo sistema digital da instituição.
No Brasil, a única bolsa oficial é a B3 que informou a polícia que Chico nunca chegou a operar de fato.
“O dinheiro vinha das vítimas, era depositada na conta da X-Treme, dessa conta o Francisco tirava uma parte desse dinheiro aí ele manda em seguida para corretora, porque para operar na bolsa é necessária a corretora que é a intermediária, da corretora o certo seria por meio dela entrar na bolsa e fazer o D-Trader, que é a compra de venda de ações em um dia, então o dinheiro parava na corretora. Quando a gente entra em contato com a B3, ela diz que ele nunca operou aqui, ou seja, ele nunca utilizou o dinheiro para fazer operações, o dinheiro parava na corretora e fica indo e voltando. Era apenas para simular que estava operando”, explica o delegado.
Segundo o delegado Luciano Alcântara, ele fazia esse movimento para dar aparência de legitima ao golpe, as operações. A aparência para as vítimas é que ele estava utilizando o dinheiro para investir.
Suspeitos presos e companheira foragida
Durante as investigações a Polícia Civil conseguiu realizar a prisão de Chico Trader, um captador de clientes, preso em São Luís, e um dos operadores, preso na cidade de Timon. O quarto integrante do grupo chegou a ser preso no inicio das investigações, mas responde hoje em liberdade por ter saído da empresa antes do fim das atividades e contribuir com as investigações.
As contas dos envolvidos seguem bloqueadas e a justiça ainda deve averiguar se há dinheiro na conta dos suspeitos e se será feita a restituição as vítimas.
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