Polícia

Golpe de falso investimento faz vítima perder R$ 650 mil no PI; delegado alerta

Uma vítima no Piauí perdeu mais de R$ 650 mil em um golpe de falso investimento investigado pela Polícia Civil do Piauí. O caso foi detalhado nesta terça-feira (25), durante a deflagração da Operação Miragem Financeira, que apura a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudes pela internet.

Segundo o delegado Humberto Mácola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), os criminosos utilizavam grupos em aplicativos de mensagens para atrair as vítimas. Eles se passavam por consultores de investimentos e utilizavam indevidamente o nome de uma instituição financeira conhecida para transmitir credibilidade ao esquema.

“A Miragem Financeira funcionava da seguinte maneira: eles tinham um grupo, que era um grupo de investimentos, mas, na verdade, era tudo fachada. Quando a vítima era direcionada a esse grupo, ela era assessorada por um suposto especialista, que orientava a vítima a baixar um aplicativo, e esse aplicativo era comandado pela organização criminosa”, explicou.

Após entrar no grupo, a vítima era incentivada a realizar depósitos e transferências por meio de um aplicativo. Conforme a investigação, a plataforma simulava rendimentos de 10% ao mês, embora os ganhos não existissem de fato. Os valores, porém, eram transferidos por PIX para empresas de fachada controladas por terceiros ligados ao grupo.

Quando a vítima tentava retirar o dinheiro, o acesso ao aplicativo era bloqueado. Ela também era retirada do grupo de investimentos e ficava sem conseguir recuperar os valores transferidos.

“A vítima começava a fazer aportes financeiros, começava a depositar, transferir por esse aplicativo, e esse aplicativo forjava um ganho de 10% ao mês, que, na verdade, não acontecia. No momento em que a vítima tentava sacar o valor, o aplicativo era bloqueado, ela era bloqueada também no grupo de investimentos e não conseguia receber nada”, acrescentou o delegado.

Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com

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Aplicativo estava disponível em loja oficial

O delegado alertou que a disponibilidade de um aplicativo em lojas oficiais não significa, necessariamente, que ele seja legítimo. Segundo ele, o grupo utilizava a plataforma falsa para dar aparência de segurança às vítimas.

“Lembrando que esse aplicativo podia ser baixado nas lojas oficiais das operadoras. Então, não é porque algum aplicativo está disponível nessa loja de aplicativos de operadoras que ele é verídico. Tome muito cuidado, não acredite em ganho financeiro estratosférico, isso não existe. Antes de você baixar um aplicativo, tome muito cuidado de onde está vindo aquele aplicativo e procure empresas que sejam críveis, que tenham já um tempo no mercado”, pontuou.

Além da vítima que perdeu R$ 659 mil no Piauí, a polícia informou que outras pessoas em diferentes estados também podem ter sido lesadas. Os investigadores já estão entrando em contato com possíveis vítimas para incluí-las na apuração.

“Essa vítima teve um prejuízo de R$ 659 mil, mas existem outras vítimas no Brasil que nós já estamos entrando em contato para que sejam trazidas para a investigação”, destacou Mácola.

Grupo usava nome de instituição financeira

De acordo com a investigação, os criminosos também utilizavam o nome de uma instituição financeira para conferir aparência de legitimidade ao esquema. O grupo de mensagens era apresentado como uma comunidade de investidores.

“A instituição financeira também entra como vítima. O grupo era chamado de grupo de investidor-anjo para dar justamente essa aparência, legalidade e moralidade nesse tipo de crime”, explicou.

A polícia investiga a participação de diferentes pessoas na organização. Segundo o delegado, oito suspeitos são procurados em São Paulo e outros envolvidos ainda estão sendo identificados.

“É uma organização criminosa, existem laranjas. Oito pessoas estão sendo procuradas lá em São Paulo. Estamos quantificando mais o número de pessoas e, na Miragem Financeira, cada um tinha uma participação. Enquanto o líder abordava a vítima, se passava por especialista, outras pessoas faziam parte também do grupo financeiro, dizendo que tinham recebido, que tinham ganhado muitos valores, mas, na verdade, tudo era uma farsa, tudo era fachada, e existiam os laranjas que recebiam esses valores e dissipavam esses valores para o grupo criminoso”, finalizou o delegado.

As investigações continuam para identificar outras vítimas e integrantes da organização criminosa.

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