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Petróleo sobe após ataque no Estreito de Ormuz e atinge maior nível desde julho

Um navio foi atingido por um projétil nesta terça-feira, enquanto deixava o Estreito de Ormuz, em mais um episódio de tensão na passagem marítima estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. O ataque ocorreu em meio ao impasse entre Irã e Estados Unidos sobre as condições para a retomada do tráfego na região.

Com as perspectivas de uma reabertura rápida do estreito cada vez menores, o petróleo Brent chegou a US$ 91,85 por barril, maior nível em mais de três semanas e o mais alto desde julho.

Segundo o UK Maritime Trade Operations (UKMTO), órgão britânico responsável pelo monitoramento do comércio marítimo, uma embarcação foi atingida por um “projétil desconhecido” durante a travessia de saída do estreito.

O impacto danificou a casa de máquinas e deixou uma vítima entre os tripulantes. Os demais integrantes da embarcação receberam auxílio da Guarda Costeira de Omã.

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Petróleo dispara após Trump anunciar pedágio no Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução)

Ataque aumenta tensão em rota estratégica

O UKMTO não divulgou informações sobre a identidade da embarcação, a carga transportada ou as circunstâncias envolvendo a vítima. Até o momento, nenhum grupo ou país reivindicou a autoria do ataque.

Também não está claro se a vítima morreu ou ficou ferida. O episódio ocorre após outros ataques registrados nos últimos dias contra navios que trafegavam pela região.

O movimento de embarcações pelo Estreito de Ormuz está atualmente muito abaixo dos níveis registrados antes do início do conflito. Dados do MarineTraffic indicaram que pelo menos três navios comerciais haviam atravessado a região nas 24 horas anteriores.

A passagem é considerada uma das principais rotas de energia do mundo. Antes do conflito, aproximadamente um quinto do petróleo bruto comercializado internacionalmente transitava pelo Estreito de Ormuz.

Irã condiciona reabertura ao fim de bloqueio

O Irã fechou, na prática, a passagem após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o país em 28 de fevereiro. Washington também mantém um bloqueio ao tráfego marítimo iraniano na região.

Nesta terça-feira, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz não será reaberto até que os Estados Unidos atendam a uma série de exigências.

Entre as condições estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a liberação de ativos congelados, o encerramento das sanções sobre o petróleo e a interrupção de ameaças e operações militares americanas.

As exigências também incluem o cumprimento de outros termos previstos no memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho.

O acordo estabelecia um prazo de 60 dias para que Irã e Estados Unidos negociassem uma solução para o conflito. O período terminou na segunda-feira (16), sem novos avanços. O cessar-fogo também havia sido marcado por violações e confrontos intermitentes.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou que não pretende prorrogar o memorando. Ele também declarou que os Estados Unidos mantêm capacidade de pressionar o Irã por meio do bloqueio naval aos portos do país.

Petróleo e mercados sentem os efeitos do conflito

A instabilidade no Estreito de Ormuz aumentou a preocupação nos mercados financeiros diante do risco de uma interrupção prolongada no transporte de petróleo.

O avanço da cotação da commodity também elevou os temores de que uma guerra prolongada mantenha os preços de energia em níveis elevados e aumente as pressões inflacionárias em diferentes economias.

Nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos do Tesouro de 30 anos chegou a 5,33% nesta terça-feira, segundo a Reuters, atingindo o maior nível em quase duas décadas.

Na Alemanha, o rendimento do título público de dez anos alcançou o maior patamar em 15 anos. O movimento reflete, entre outros fatores, a preocupação dos investidores com os impactos econômicos e fiscais de um conflito prolongado.

A tensão também se estende a outras áreas do Oriente Médio. Israel realizou ataques contra alvos que, segundo o governo do país, estavam ligados ao Hezbollah, no sul do Líbano, e ao Hamas, na Faixa de Gaza. No Mar Vermelho, rebeldes houthis baseados no Iêmen também atacaram embarcações.

Enquanto isso, Jared Kushner, enviado dos Estados Unidos para negociações de paz, esteve no Oriente Médio nesta semana em uma tentativa de avançar nas tratativas por um cessar-fogo em Gaza.

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