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Renan diz que governará mesmo com “parasitas” do Centrão

O ativista Renan Santos, candidato do partido Missão a presidente, disse nesta quarta-feira (5) estar preparado para governar com “parasitas e vagabundos” de partidos do chamado Centrão caso seja eleito em outubro. Em entrevista à GloboNews, Renan chamou o Congresso de “fábrica de salsichas”, mas disse que saberá diferenciar o momento de campanha daquele de governo.

“O eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos. Como eu sou um democrata, eu vou ter que compor”, afirmou em entrevista à GloboNews.

Hoje com apenas um deputado no Congresso – Kim Kataguiri (SP) –, Renan Santos afirmou que buscará se sentar à mesma com os congressistas para aprovar temas de interesse do governo ainda antes de tomar posse, em 5 de janeiro.

A principal bandeira é a PEC da transição, que tem como propostas o fim do reajuste do Bolsa Família, do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e da Previdência Social ao salário-mínimo, além de acabar com o piso constitucional para saúde e educação. Outros pontos incluem cortes em isenções fiscais e revisões de abono salarial.

A promessa é de economizar anualmente R$ 1,1 trilhão até 2031 e reduzir progressivamente a taxa básica de juros com a melhora da perspectiva fiscal do governo.

STF

Caso eleito presidente, Renan afirmou que tentará retomar a capacidade do Poder Executivo de “executar coisas”, dentre as quais o controle sobre territórios tomados pelo crime organizado. Um dos pontos citados sobre seu perfil no Planalto será a resistência a cumprir o que definiu como “decisões ilegais” do Supremo Tribunal Federal (STF) que invadam a competência da Presidência da República. Para ele, a postura é condizente com a Constituição e restabelece a força da cadeira presidencial.

“Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre. Ponto. […] Eu não vou cumprir uma decisão monocrática”, disse.

Segurança pública

Uma das principais bandeiras de Renan Santos para a segurança é a retomada do controle de territórios do crime organizado sob o slogan “Prendeu, matou”, em modelo inspirado no governo de Nayib Bukele, em El Salvador.

Questionado se o mote abre margem para práticas de abuso de autoridade e suspensão de direitos como no caso salvadorenho, Renan Santos disse que o modelo de Bukele não é aplicável no Brasil e que não compactua com medidas tomadas no país vizinho, como prisões sem mandado judicial, restrições de acesso a advogados e julgamentos coletivos.

“O que o Bukele fez está em um contexto salvadorenho dentro de um sistema normativo dele. O que nós vamos fazer será dentro de um contexto nosso”, resumiu.

Renan diz que sua proposta se divide em suas frentes: de “operação territorial”, com incursões localizadas para romper com o controle das facções em bairros e cidades, e de “operação vertical”, para combater a entrada do crime no Estado. O segundo esforço, em sua avaliação, exige coordenação com a Polícia Federal, Receita, Coaf e também outros países para fechar a rota do narcotráfico e identificar os representantes das facções na política.

“Se eu não não recuperar o território, eu estou prevaricando como presidente. Se não recuperar, o Brasil não é uma país, é uma piada”.

Para Renan Santos, o momento ideal para negociar as mudanças – que exigem aprovação de 3/5 dos deputados e senadores em dois turnos – é entre novembro e dezembro, antes de assumir. Ele afirma que os congressistas estão cientes de que o Brasil se encaminha para uma “rota de colisão fiscal” e estariam dispostos a contribuir com o governo eleito.

“Carrapato sabe que o boi não pode morrer”, ironizou.

sbtnews

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