Política

Novas tarifas dos EUA dobram custos às famílias americanas

As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra 60 economias, sob a justificativa de combater falhas no enfrentamento ao trabalho forçado, podem elevar para US$ 1.100 (R$ 5,6 mil, aproximadamente) o custo anual médio das tarifas para as famílias americanas — caso a Seção 301 seja efetivamente aplicada. Segundo o estudo do Budget Lab, da Universidade de Yale, com base na legislação tarifária atualmente em vigor, esse custo já gira em torno de US$ 550 (R$ 2,8 mil) por ano; ou seja, a nova política representaria o dobro do impacto financeiro sobre os lares americanos.

O levantamento também projeta os efeitos fiscais da medida ao longo da próxima década: as tarifas da Seção 301 devem arrecadar cerca de US$ 2 trilhões (R$ 10,2 trilhões) em dez anos. Os pesquisadores ressaltam, porém, que esse valor tende a ser um pouco menor na prática, já que as próprias tarifas devem gerar um efeito negativo sobre o PIB, reduzindo a base de arrecadação e o consumo. Em termos de taxa efetiva média, o estudo estima que ela deve fechar o ano em 12,8%.

O anúncio desta quinta-feira (23) é mais um capítulo de uma política comercial marcada pela instabilidade: desde que assumiu a Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump alterou as regras alfandegárias diversas vezes como forma de pressão aos parceiros comerciais. A lista mais recente de afetados inclui, além do Brasil, taxado em 25%, o Canadá — um dos maiores parceiros comerciais dos EUA —, que teve produtos tarifados em 50% nesta semana.

O momento é sensível: o alto custo de vida continua a liderar a lista dos problemas financeiros mais importantes enfrentados pelas famílias americanas. De acordo com pesquisa da Gallup, 31% dos entrevistados citaram o tema como principal preocupação.

sbtnews

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