Política

Lula sugere que Trump não se comporta de “forma civilizada”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quinta-feira (11) uma crítica indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar as ameaças tarifárias contra produtos brasileiros e as acusações americanas sobre o combate ao desmatamento na Amazônia.

Durante evento em que o governo federal divulgou novos dados de redução do desmatamento, Lula afirmou que o Brasil terá de responder às alegações dos Estados Unidos com comparações e dados concretos. Sem citar Trump nominalmente, o presidente declarou que o país está negociando com alguém que “não se comporta de forma civilizada”.

“Quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro pra negociar, com alguém que não se comporta de forma civilizada, a gente vai ter que fazer comparação”, disse.

Na sequência, Lula afirmou já ter tratado da contenda comercial diretamente com o presidente americano e que seu objetivo é “provar” que o Brasil está “certo”.

“Tenho dito pra todo mundo, já falei pro Trump três vezes. Não adianta falar que tem navio maior do mundo, aviões mais rápidos do mundo. Não quero guerra com você. Minha guerra é narrativa. Provar que estamos certos e você está errado. Que você não foi eleito pra ser imperador do mundo, dizer o que quiser e as pessoas ficarem quietas. Com o Brasil não é assim. A gente não quer briga, a gente quer respeito, igualdade, civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”, afirmou.

As declarações ocorreram após a divulgação de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que apontam queda de 61,4% no desmatamento da Amazônia em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Segundo o governo, é a maior redução mensal já registrada pelo sistema Deter, responsável por emitir alertas em tempo real sobre a destruição da floresta.

Desmatamento na Amazônia | Reprodução/TV Brasil
Desmatamento na Amazônia | Reprodução/TV Brasil

Ao comentar os números, Lula afirmou que os dados serão enviados às autoridades comerciais americanas para contestar uma das justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para propor tarifas sobre produtos brasileiros.

“Nós vamos ter que pegar esses dados, mandar para o cidadão do comércio dos EUA, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com taxação maior, e comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos EUA”, declarou.

O presidente também acusou os Estados Unidos de apresentarem argumentos incorretos para justificar as medidas comerciais.

“Eles mentiram a primeira vez, que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinham déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit. E agora com esse negócio que eles falaram do desmatamento. Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que chegue a zero até 2030”, disse.

Queda histórica no desmatamento

Os números divulgados pelo Inpe reforçam a estratégia do governo de usar os resultados ambientais como argumento contra as críticas americanas.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou os dados como históricos e afirmou que eles enfraquecem as acusações feitas pelos Estados Unidos.

“Estamos trabalhando pra ter o menor número final [de desmatamento] da série dos 12 meses, da história da Amazônia. Feito fundamental para o Brasil. Põe por terra definitivamente a acusação dos EUA, que incluiu desmatamento na Amazônia como medida de imposição de tarifas”, disse.

Capobianco acrescentou que o governo brasileiro já apresentou informações detalhadas às autoridades americanas.

“Estamos dispostos a esclarecer pra qualquer um que não estamos fazendo desmatamento ilegal, não estamos exportando madeira ilegal. Nós fomos aos EUA, mostramos todos os dados. E mesmo assim veio essa injusta acusação contra nós”, afirmou.

De acordo com o Inpe, entre agosto de 2025 e maio de 2026, o desmatamento acumulado na Amazônia foi de 2.189 quilômetros quadrados, uma queda de 37,5% em relação ao período anterior.

sbtnews

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