Ciro avalia que futuro de Flávio em 2026 depende de reação nas pesquisas

Em entrevista ao Jornal do Piauí nesta quinta-feira (21), o senador Ciro Nogueira (PP) afirmou que a viabilidade da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República em 2026 depende dos seus esclarecimentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de qual o impacto disso nas próximas pesquisas eleitorais.
“Eu acho que sim [Flávio como um pré-candidato viável]. Vamos ver pelas próximas pesquisas. Vai depender de como ele vai reagir a isso dos esclarecimentos que vão ser dados, para que se escolha esse candidato de oposição no nosso país”, declarou o parlamentar piauiense, que avaliou os últimos levantamentos de intenção de voto.
Nogueira reconheceu que os episódios mais recentes, como Flávio ter admitido que manteve contato com o banqueiro Daniel Vorcaro durante sua prisão domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica pelo empresário, prejudicaram o desempenho do pré-candidato do PL nas últimas pesquisas, mas apostou que ele se deve recuperar devido a polarização política.
“Acho que hoje nós temos um país muito dividido. Teve uma pesquisa aí, mas que foi um pouco maculada, que botou a gravação dele e é uma coisa que macula. Acho que as próximas pesquisas vão dizer. Pelo que eu vi, acho que o Flávio deve ter caído, mas o eleitorado não foi para o Lula, está indo para os indecisos”, avaliou o senador piauiense.
Mesmo surpreso com as revelações do vínculo entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro, Ciro Nogueira garantiu que não existe qualquer ilegalidade demonstrada até o momento. “Surpresa, né. A gente não tinha conhecimento dessa relação, desse investimento que foi feito. Mas até agora não vi nada de ilegal. Espero que isso seja o mais rapidamente esclarecido”, pontuou.
Direito de defesa
Durante a entrevista, Nogueira também lembrou as denúncias recentes sobre seu suposto envolvimento com Daniel Vorcaro ao enfatizar que Flávio Bolsonaro tem o direito constitucional à defesa e só deve ser responsabilizado mediante prova de culpa. “Acho que ele, como um dos homens mais influentes, assim como eu, em Brasília, tem que prestar conta. Ninguém pode deixar de ser investigado”, disse.
“Temos um presidente da República que ficou preso 500 dias e hoje é o presidente da República, depois conseguiu anular o seu processo. Acho que o Flávio tem que ter todo o direito de se defender. Se ele for culpado, assim como eu ou qualquer brasileiro, tem que pagar exemplarmente. Agora, se for inocente, tem que se dar todo o direito para que ele possa disputar a eleição, que ele estava até liderando”, completou

Progressistas aguardará desenrolar das investigações
Questionado sobre a posição da federação União Progressista em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, Nogueira pregou cautela e sinalizou que as siglas aguardam os desdobramentos das investigações. “Estamos aguardando. O Brasil como um todo está esperando os esclarecimentos, o próprio posicionamento da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário, para tomarmos uma decisão”, declarou.
Michelle como plano B
Apesar do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já ter descartado publicamente a possibilidade de substituir Flávio Bolsonaro como pré-candidato do partido, o líder do PP avaliou a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, como um nome competitivo. Por outro lado, o Nogueira foi enfático ao lembrar que qualquer decisão sobre uma eventual substituição deve passar pelo aval do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A força eleitoral do presidente Lula e do presidente Bolsonaro é uma coisa sem precedentes. São dois grandes líderes e qualquer apoio deles será decisivo nessa eleição. Acho muito difícil alguém se eleger no Brasil fora desse escopo. Temos o nome da dona Michelle, se o Flávio não for candidato, é um nome muito forte, mas é uma decisão muito do presidente Bolsonaro”, afirmou.
Questionado se Michelle seria mais competitiva que Flávio no atual contexto, Nogueira evitou polêmicas e voltou a defender a avaliação de pesquisas para definição do futuro da pré-candidatura. “A decisão é do presidente Bolsonaro. Fica muita especulação. Vai depender muito de como o Flávio reagir nessas pesquisas, de como o eleitorado dele vai reagir. Caiu nessa última pesquisa, que eu achei muito maculada, porque botou uma gravação do diálogo dele com o Vorcaro”, concluiu.
Vice de Joel
Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com

O senador Ciro Nogueira afirmou que o Progressistas deve anunciar até o fim de junho o nome que vai compor como vice na chapa de Joel Rodrigues na disputa pelo Palácio de Karnak em 2026. Segundo ele, a escolha seguirá o mesmo modelo utilizado na definição do pré-candidato ao governo, ouvindo a população para consolidar uma chapa competitiva.
Durante entrevista, Ciro destacou o apoio político recebido de prefeitos piauienses e afirmou que mais de 200 gestores municipais já reconhecem seu trabalho no Senado. O parlamentar atribuiu esse apoio à destinação de recursos para os municípios.
Ao comentar a sucessão estadual, o senador avaliou que o principal desafio de Joel Rodrigues neste momento é ampliar o nível de conhecimento junto ao eleitorado piauiense. Segundo ele, o ex-prefeito ainda é conhecido por menos da metade da população, mas já apresenta desempenho competitivo entre os eleitores que o conhecem.
“Joel foi escolhido pela primeira vez pelo povo do Piauí. Hoje ele só é conhecido por cerca de 48% da população e, dentro desse percentual, já lidera pesquisas. O desafio agora é fazer com que o restante do eleitorado conheça sua história e possa comparar os projetos”, afirmou o senador.
Ciro também declarou que acredita no crescimento eleitoral do aliado ao longo da campanha e classificou Joel Rodrigues como um possível “fenômeno eleitoral” no estado.
“O Joel está se transformando no maior fenômeno eleitoral da nossa história. Com o decorrer da campanha e do programa eleitoral, as pessoas vão conhecer melhor o nome dele e terão condição de fazer sua escolha”, declarou o senador.
Sobre a composição da chapa majoritária, Ciro evitou antecipar nomes, mas confirmou que o partido mantém diálogo aberto para definir o vice. Nos bastidores, lideranças políticas discutem perfis que possam ampliar alianças e fortalecer a oposição no estado.
O senador também comentou a disputa pelo Senado e citou nomes que podem integrar o campo oposicionista, entre eles Thiago Junqueira e Antônio José Medeiros. Segundo ele, as conversas políticas seguirão ao longo dos próximos meses.
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